Na manhã desta segunda-feira, decorreu um Passeio de Acessibilidades, promovido pelo Balcão de Inclusão, em parceira com a Associação Salvador, em Macedo de Cavaleiros, assinalando o Dia das Acessibilidades, que se comemora, no próximo dia 20 de outubro.
Em vez de uma palestra, a área da divisão social do município, pretendeu realizar algo diferente, um passeio pela cidade, para mostrar as dificuldades que existem para quem circula de cadeira de rodas, e não só, como por exemplo, uma pessoa invisual.
Esta foi uma iniciativa que visou sobretudo despertar consciências, com um lema “Juntos mudamos a vida” como explicou Susana Viana, vereadora do município:
E nós decidimos não fazer um workshop ou uma palestra, e sim, um passeio para percebermos efetivamente, a realidade da mobilidade na nossa cidade.
Convidamos diversas pessoas, com diferentes particularidades. E que aceitaram de muito bom grado, e nós hoje observamos a realidade, com a visão dessas pessoas”.
Uma delas, de quem usa uma cadeira de rodas elétrica, é de Alípio Reis, de 54 anos, que por causa da doença da diabetes, teve que de lhe ser amputado um pé. Refere que em Macedo de Cavaleiros faz falta muita obra, a pensar nas acessibilidades:
Só temos acesso a três instituições bancárias, depois de termos tantas, na cidade. É o Montepio, a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco. Por exemplo, tenho conta aberta na Caixa Agrícola e não consigo ir ao balcão, nem com esta cadeira de rodas, nem com a outra.
Não consigo lá ir tratar de nenhuma tarefa administrativa. Macedo está a precisar de muita obra, para quem usa cadeira de rodas.
Alípio Reis, contou que teve que fazer um empréstimo de três anos, para poder ter a cadeira de rodas elétrica, que ainda se encontra a pagar.
Também Luís Vaz, numa cadeira de rodas, há cerca de 18 anos, vítima de um acidente de viação, destacou que existe muita dificuldade por causa dos passeios muitos altos e que na maioria dos casos, os espaços públicos como cafés, não tem acessibilidades e ou rampas:
Há zonas da cidade em que os passeios não estão rebaixados, e por isso é mais difícil. Ou seja, obriga-me andando sem carro, andar pela estrada, porque é mais fácil, do que andar pelo passeio e depois de andar 500 metros, no passeio, não ter por onde sair.
Felizmente, os edifícios públicos, melhor ou pior, já têm acessibilidades. Mas ainda há um grande problema, nos privados, nomeadamente, em lojas, cafés e restaurantes. É difícil encontrar alguns exemplos, em que a acessibilidade é total. De resto, ou não se consegue entrar de todo, ou então, não se pode ir à casa de banho.
Outro caso que denuncia é o estacionamento:
Como é falta de civismo, quando se trata de um lugar reservado para pessoas com mobilidade condicionada e estacionam lá, são só cinco minutos. E quando vou eu, que preciso, não tenho o lugar vago. E tenho que estacionar noutro sítio que fica a muito mais de cinco minutos.
Convidado para a iniciativa foi Cristiano Salvador, embaixador da zona norte, da Associação Salvador, sediada em Lisboa, mas que dá apoio a nível nacional a pessoas com deficiência motora. O embaixador, natural de Marco de Canaveses, destaca a importância desta sensibilização real:
Esta atividade na via pública, faz com que os próprios técnicos e o executivo camarário tenham uma noção real dos problemas, no passeio e na via pública, que nós sentimos. Como também permite a interação com pessoas de mobilidade reduzida que foram convidadas.
E, é importante, que digam o que é necessário dizer para melhorar as acessibilidades delas.
A associação, que eu represento, tem como missão, melhorar a qualidade de vida de pessoas com mobilidade reduzida, e tem um papel no aconselhamento, para que possamos ter um mundo mais inclusivo.
O passeio começou no Jardim 1º de Maio, e percorreu vários locais, como o Parque da Cidade, o Centro de Saúde, o Centro de Emprego, a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, entre outros. E também contou com a presença de utentes da CERCIMAC- Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Macedo de Cavaleiros.
Escrito por Rádio ONDA LIVRE









