PS questiona o governo sobre a possibilidade de encerramento de serviços bancários da CGD, no interior

O grupo parlamentar do PS questionou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, sobre o encerramento de cerca de 40 serviços bancários, que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a levar a cabo, no interior do país e nas ilhas.

Alguns órgãos nacionais de comunicação, como o “Público”, dizem mesmo que poderá chegar a uma centena de serviços de tesouraria, em que o serviço será reduzido ao cartão multibanco.

Isabel Ferreira, deputada pelo círculo eleitoral de Bragança, destaca que está preocupada com a redução deste serviço, uma vez que o banco, pertence ao estado português e, ainda no ano passado “apresentou lucros históricos que ascenderam a 1.291 milhões de euros”:

Isso é o que nós queremos saber. Queremos ter a confirmação oficial, por escrito, da parte do governo, e em particular do Senhor Ministro das Finanças, sobre aquilo que foi veiculado, sobre o encerramento de alguns serviços ou a redução, e se de facto se efetivará.

E saber também se as autarquias onde se pretende encerrar estes serviços, ou à redução dos serviços bancários da CDG, têm conhecimentos ou se foram auscultadas.

No fundo, saber qual é a posição do governo sobre esta matéria.

A deputada socialista, até evidencia que enquanto antigo membro do governo sempre evitou o encerramento de balcões da CGD, uma vez que estes serviços, assumem um papel preponderante, na sua função social e de coesão territorial:

Isto também não é um assunto novo. E em particular, eu que também já estive nos dois governos anteriores, muitas vezes também aparecia essa possibilidade. Portanto, exigia sempre, um empenho, do governo no sentido de evitar este encerramento de serviços nos territórios do interior, que sabemos que são determinantes, sobretudo pelas caraterísticas da população, que vivem nestes territórios. Ou seja, é uma população mais envelhecida e por isso, precisa, de um atendimento de maior proximidade e mais presencial.

Sabendo dessa preocupação, aquilo que o grupo parlamentar do partido socialista fez, foi confirmar junto do governo desta possibilidade, que é quem tem essa informação mais segura, para que nos possa esclarecer.

A deputada da Assembleia da Republica recorda que é preciso garantir que nada mais falhe ao interior, como por exemplo, a recente interrupção, no início do mês de outubro, da linha área da Seven Air Bragança-Portimão:

Precisamos de garantir que nada mais falhe ao interior. Neste momento, já temos a ligação área Bragança, Vila Real, Viseu, Cascais, Portimão interrompida, que é uma ligação regional da máxima importância, suspensa. Portanto, precisamos de garantir que não há este desprezo, pela parte do governo atual pelos territórios do interior.

Quando questionada sobre quais as soluções para o interior, a deputada é perentória e garante que o que era preciso era dar continuidade ao programa de valorização, junto das empresas e as entidades de caráter científico e tecnológico:

Nós precisávamos mesmo de dar continuidade ao programa de valorização do interior, que foi implementado pelo anterior governo, e que era dirigido aos atores relevantes dos territórios, que são as empresas que criam emprego, para fixar população, as entidades do sistema científico e tecnológico, que também criam dinâmicas empreendedoras, naturalmente as autarquias, e os produtores. Ou seja, todos os atores, são muito importantes, e por isso, é preciso desenvolver políticas de estímulo, sobretudo ao investimento, ao nível do empreendedorismo e empresarial, porque são quem consegue fixar pessoas nos territórios de baixa densidade.

A bancada do PS quer saber se o ministro das Finanças tem conhecimento desta decisão da CGD e se foi auscultado ou emitiu alguma opinião ou parecer sobre este assunto.

Em comunicado, os deputados socialistas chegam mesmo a acusar o governo, dizendo que não tem tido uma posição em que “o interior seja uma prioridade”.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE