Após, ter sido criada uma gestão administrativa do partido Chega no concelho de Macedo de Cavaleiros, recentemente, agora a comissão desta gestão demite-se por não haver entendimento.
Rui Pacheco era quem lidera este órgão e explica o porque desta decisão:
“Nós tínhamos um órgão de gestão, não é? Fomos nomeados pelo partido, e vários desses elementos vão sair. Alguns deles até se vão desfilar, que é o meu caso, do partido Chega. A questão é a seguinte. Há mais de um mês que andávamos a trabalhar nisto. Tínhamos uma estratégia muito bem definida, para aquilo que pretendíamos para o concelho. Algo que a nível nacional, não fazem a menor ideia do que é Macedo de Cavaleiros. Porque ao fim ao cabo, nós só servimos para ser número e pronto. Já tínhamos a lista pronta para a Assembleia Municipal. Também já tínhamos um candidato para a Junta de Freguesia de Macedo, e estávamos a ver a possibilidade de criar uma lista para Talhas, Lagoa, Vale Prados e Castelãos. Fui surpreendido há pouco tempo, pelos membros da nacional, neste caso, Carlos Magno, que é o coordenador nacional autárquico, a dizer que por imposição do partido, nós tínhamos que apresentar obrigatoriamente, uma candidatura à câmara, algo, que nós não queríamos, porque no contexto em que estamos, e tendo um candidato forte, não faia sentido. Tão simples, quanto isso.”
O grupo de gestão tinha uma estratégia definida e delineada para o concelho, no entanto, nos últimos dias tudo mudou por imposição dos órgãos nacionais. E ainda acrescenta que vai se desfiliar do partido, porque não cede a imposições:
“Eu pessoalmente vou-me desfiliar do partido, porque não cedo a imposições, de quem não conhece o concelho. Não compactuo com candidaturas fantasmas. Está fora que questão. Porque ao fim ao cabo, vir uma pessoa de fora, vir uma pessoa de fora, candidatar-se ao concelho de Macedo de Cavaleiros, está fora de questão, e não faz qualquer tipo de sentido, na minha visão. Ao fim ao cabo, isto é um ato ditatorial, em que o partido quer que todos os concelhos a nível nacional, tenham uma candidatura à câmara, e não querem saber quais são realmente as necessidades dos concelhos e os objetivos. Nós não estamos a ser ouvidos pelo partido. Ao fim ao cabo, somos mais uns, somos números.”
Rui Pacheco promete que ainda esta semana vai pedir a desfiliação do partido e denunciar todos estes atos ditatoriais.
Carlos Matos também fazia parte da comissão, como segundo da lista e também vai abandonar o cargo, pela mesma razão, não aceitando imposições:
“Como as coisas não estão a correr bem, eu salto fora. Desisto das funções. Vou desistir porque não concordo com as diretrizes do partido, porque não nos têm em consideração. Eles querem, podem e mandam. E eu não me estou a rever nesse tipo de política. E depois não é só isso, nós em 2021, fomos nós que demos a cara. Ninguém quis assumir. Agora com o partido tem 60 deputados, aparecem paraquedistas de tudo quanto é sítio. E nós, não temos voto na matéria. Isto não pode ser assim, e isso comigo, não funciona. A situação é só essa, não é mais nenhuma.”
Humberto Sobrinho, militante do partido partilha a opinião, também está muito descontente e vai mais longe, adiantando que o partido neste momento, no distrito, não está a seguir as linhas de crescimento nacionais, por incompetência, como acrescenta:
“É sintomático do descontentamento. Ou as pessoas não veem ou não olham. E mais, querem impor a vontade, nomeadamente, em Macedo de um candidato que eu não sei qual é. Não está ai o Rui Pacheco e o grupo da gestão administrativa? E em Bragança também não existe nenhum grupo. Não só sou eu. É um grupo de militantes, que não aceita este tipo de incompetência, não é possível. E acredite uma coisa, o partido vai levar um estrondo, para não dizer outra coisa, mas é consequência das más estratégias políticas, que estão a ser feitas. Nós não podemos ter candidatos, numa câmara, se achamos que não tem capacidade. Pelo menos é o que eu acho e os candidatos têm de ser qualidade. Não é o A, B ou C. Tem de haver triagem nestas coisas, como em tudo. Portanto, são estas coisas, que em Bragança, garanto-lhe que não sei se vai haver candidato, nem sei se existe candidato. Portanto, estamos a um mês e tal. Agosto, não conta. Conta só o mês de setembro. E que é que vai ganhar umas eleições, ou vai colocar um vereador na câmara, pelo Partido Chega? Esqueçam isso. E em Macedo é uma vergonha. O que se passa em Macedo, passa-se em todo o distrito de Bragança.”
Recordo que para as próximas eleições autárquicas já se conhecem alguns candidatos, no distrito de Bragança, como Jorge Manuel Falé, à Câmara Municipal de Alfândega da Fé, Luís Saraiva, à Câmara Municipal de Mirandela, Nivardo Rodrigues à Câmara Municipal de Vinhais.
No início do mês de março, o presidente da distrital de Bragança do Chega demitiu-se, Luís Frölén Ribeiro, alegando incompatibilidades.
E as eleições para a distrital só vão acontecer depois das eleições presidenciais em janeiro do próximo ano.
