Greve em Bragança do STAL com adesão a 100% dos trabalhadores

A greve marcada para hoje convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) teve uma paralisação a 100%, em Bragança, superando as expectativas do sindicato que antecipou para uma paragem de 90%.

Houve um grande impacto nas 114 aldeias do concelho de Bragança, que ficaram sem transporte. Num dia em que por ser dia de feira, prejudicou mais utilizadores, explicou Francisco Marcos, coordenador regional do sindicato:

“Esta paralisação como é a 100%. São 114 aldeias do concelho de Bragança, 39 freguesias. Houve mesmo o caso de crianças que ficaram sem transportes, sem poderem ir para a escola. E mais hoje foi dia de feira, e também idosos não conseguiram ir à sede de concelho. Porque é o único transporte disponível. São os STUB’s.”

A greve foi decidida realizar antes das eleições autárquicas, para alertar autarcas e candidatos para a necessidade de verem resolvidos os seus problemas há muito denunciados, solicitando também que as autarquias assinem acordos coletivos de trabalho, relativos aos trabalhadores, que não têm progressão na carreira, nem valorização salarial:

“As nossas reivindicações que passam pela reposição das carreiras profissionais, nomeadamente: a de agente único nos transportes municipalizados; o aumento dos salários não inferior a 15%, num mínimo de 150 € por mês a partir de janeiro deste ano; o aumento do subsídio de refeição para 10,50 € diários; a atribuição do suplemento de penosidade e insalubridade; o respeito pelo gozo integral dos dias de férias e a melhoria das condições de trabalho. Para além destas condições, também se pretende o aumento do número de trabalhadores, porque estão mesmo no máximo de trabalho, levando a um clima de exaustão, com muitas horas de trabalho, e com pouco tempo de descanso.”

Ainda alerta para o facto de autarquia abrir concursos para esta profissão, que ficam desertos, porque as condições não são as melhores:

“A própria autarquia realiza concursos a decorrer para motoristas e muitos ficam desertos, não concorrem, porque as condições que têm para lhe oferecer, não são as melhores, ou seja, não é uma profissão aliciante. Nós no distrito de Bragança, ainda sofremos mais disso, porque tem uma densidade baixa, e geograficamente é muito grande. São muitos quilómetros, o que faz com as rotas demorem muito mais, e era preciso mais gente, e mais viaturas e com melhores condições. E estas são as reivindicações que estamos a ter. E a população também compreendeu, também o motivo desta paralisação. Porque se os trabalhadores, tiverem melhores condições, as populações também o vão ter.”

Ainda destaca que estão neste momento, disponíveis 25 veículos no concelho, num universo de 30 trabalhadores, o que torna inviável a gestão de horários, e que são precisos mais:

“O que sei, neste momento, com 25 carros, 30 trabalhadores e horários que começam às 6h00 da manhã e terminam às 24h00, como se vê, é impossível, conseguir, ter todos os carros, e tudo a funcionar, não é? Não se consegue ter aqui as rotas como quereriam.”

O sindicato entregou reivindicações ao Ministério das Finanças, das quais não teve nenhuma resposta. A greve marcada aconteceu em simultâneo, em cidades como Barreiro, Coimbra, Nazaré, Portalegre, Alcácer do Sal e Sintra, entre outras.

Fotografia: Diário de Trás-os-Montes