“Desvios que perturbam a democracia”. É assim que o almirante Gouveia e Melo, candidato à Presidência da República, classifica a legislação que exclui as rádios locais dos Tempos de Antena, no âmbito da campanha eleitoral às presidenciais. Uma posição assumida no contexto do boicote promovido pela Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR).
O ato eleitoral decorre sem que tenha sido revista a legislação em vigor desde 2019, que regula as emissões dos Tempos de Antena e deixa de fora as rádios locais, muitas delas a atravessar dificuldades financeiras.
Para Gouveia e Melo, trata-se de uma situação injusta e desleal, que coloca em causa o pluralismo democrático.
O candidato à Presidência da República defende que estas assimetrias devem ser corrigidas, garantindo igualdade de tratamento entre os diferentes órgãos de comunicação social.
Segundo o almirante, esta é também uma das razões que o levou a avançar com a candidatura, apontando falhas de liderança, problemas de gestão e excessivo partidarismo na administração pública.
O militar na reserva e ex-chefe do Estado-Maior da Armada esteve esta quinta-feira em Macedo de Cavaleiros, onde visitou o quartel dos Bombeiros Voluntários, tendo sido recebido pelo comandante João Venceslau, pelo presidente da Associação Humanitária, João Trovisco, e por antigos marinheiros que fizeram questão de o cumprimentar.
Durante a passagem pelo concelho, Gouveia e Melo visitou também o monumento em memória dos combatentes, onde depositou uma coroa de flores, recordando aquilo que considera ter sido um tratamento injusto dado aos ex-combatentes.
A deslocação a Trás-os-Montes incluiu ainda Mirandela, onde destacou o envelhecimento da população e a desertificação do interior como alguns dos principais problemas do país. Aproveitou também para apresentar condolências às famílias das três vítimas mortais registadas recentemente, associadas a atrasos ou falhas no socorro do INEM.
Atualmente existem cerca de 300 rádios locais em Portugal, quando no final da década de 80 existiam 402 frequências. Recorde-se que o Estado determinou o pagamento de cerca de 2,8 milhões de euros para os Tempos de Antena emitidos pelas televisões nacionais e pelas rádios nacionais e regionais, excluindo as rádios locais.














