Morte dos sete idosos em incêndio no Lar de Mirandela ainda sem responsáveis

Sete meses depois do incêndio que deflagrou no Lar “Bom Samaritano”, em Mirandela, ter tirado a vida a sete utentes, ainda não foram apuradas responsabilidades nem são conhecidas as causas que levaram a este trágico desfecho.

Os inquéritos abertos pelo Ministério Público (MP) e pelo Instituto de Segurança Social (ISS) para se apurar responsabilidades e proceder ao pagamento das indemnizações aos familiares das vítimas ainda não estão concluídos.

Entretanto, o Lar foi sujeito a obras de requalificação que já estão prontas, mas ainda carecem do aval das autoridades fiscalizadoras.

O caso remonta à madrugada de 16 de agosto. Seis idosos – cinco mulheres e um homem – com idades entre os 75 e os 95 anos – todos utentes do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Mirandela (SCMM), perderam a vida no incêndio que deflagrou num dos quartos daquele equipamento que albergava 89 utentes. Quatro dias depois, o número de vítimas mortais aumentou para sete. Uma utente de 84 anos não resistiu aos ferimentos.

Na altura da tragédia, o então Provedor, Adérito Gomes, que cessou funções por ter atingido o limite de mandatos, chegou a adiantar que a causa do incêndio poderia ter sido “um curto-circuito num colchão anti-escaras”.

Um vizinho do lar, o primeiro a prestar auxílio, afirmou que os sensores de incêndio não funcionaram, porque ninguém ouviu soar qualquer alarme.

O provedor confirmou, na altura, que o alarme “não soou” com base na informação das funcionárias, mas garantiu que os extintores “estavam a funcionar e foram carregados nos prazos previstos”.

O MP decidiu abrir um inquérito para investigar o incêndio, tal como o ISS. Mais de sete meses depois, a Procuradoria-Geral da República confirma que ainda está “em fase de investigação”. Já o Ministério do Trabalho e da Segurança Social ainda não respondeu.

A direção da SCMM aguarda pela conclusão dos inquéritos. “Até ao momento, não temos nenhuma informação”, garante o atual Provedor.

Esta situação de impasse, “cria sempre uma certa apreensão”, confessa João Matias que diz estar pronto a iniciar conversações com os familiares das vítimas. “Independentemente de sabermos os resultados dos inquéritos, temos que encerrar o assunto e chegar a acordo com as famílias”, conta.

Mas ao longo destes meses, o silêncio e a falta de respostas deixa revoltadas as famílias. “O contacto que houve foi há coisa de uma semana ou duas, para ir buscar as pertences da minha mãe. Mas em relação ao que aconteceu, nem uma palavra”, diz Carlos Lima, um dos filhos de Josefina Cândida, uma das vítimas. “Na mente deles não aconteceu nada. Foi uma coisa normal e corrente, só que levou sete famílias à desgraça”, lamenta.

Ainda assim, diz estar recetivo a conversar. “Se nos contactarem para chegarmos a um acordo, claro que vamos falar com eles e vamos ver a melhor solução. Só quero que assumam a responsabilidade da tragédia que levou à morte da minha mãe.”

Já Nélson Loução, um dos filhos de Inês da Natividade Gomes, outra das vítimas, aguardar “com serenidade” o desenrolar do processo.

OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO AGUARDAM VISTORIA

O Lar foi sujeito a obras que já estão concluídas, mas continua encerrado. “O espaço tem de ser validado pela Proteção Civil e também temos de ser autorizados pela Segurança Social”, explica o Provedor que não consegue adiantar um prazo para a reabertura. “Espero que seja até ao fim deste mês”, acredita João Matias.

As obras “ultrapassaram os 200 mil euros, mas depois também temos a melhoria de alguns sistemas, como a deteção de incêndios, do sistema de chamada de enfermeiros, que foi todo renovado e naturalmente que isso acarreta mais algumas despesas”, adianta.

Enquanto o Lar não reabrir, cerca de 70 utentes (eram 82, mas, já faleceram alguns) continuam nos restantes quatro lares geridos pela SCMM.

Perto de 30 auxiliares do Lar mais os técnicos e o pessoal da limpeza estão, temporariamente, a exercer funções nos restantes lares da instituição.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

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