Um ataque de lobos matou oito animais, seis ovelhas e dois cordeiros, em Malhadas, no concelho de Miranda do Douro, no passado domingo de manhã.
O proprietário do rebanho, Pedro Alves, conta que, quando regressou ao estábulo onde costuma ter os animais, se deparou com o ataque e contabilizou seis ovelhas mortas:
Segundo Pedro Alves, esta não foi a primeira vez que o rebanho foi atacado. No mês de março, o pai, que é quem pastoreia os animais, já tinha presenciado outro ataque:
Pedro Alves avalia o prejuízo em mais de dois mil euros e confessa que já não sabe o que fazer, apesar de ter um cercado com cerca de dois metros de altura:
Para além dos animais mortos, vários cordeiros ficaram órfãos. O produtor refere ainda que três ovinos ficaram feridos e acabaram por ter de ser vendidos.
O pastor, de 34 anos, iniciou a atividade há sete anos, mas admite que está a ponderar deixar a pastorícia. Diz que, para além do impacto de encontrar os animais mortos, manter a atividade nestes moldes começa a tornar-se demasiado dispendioso.
O caso foi reportado ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, ICNF, que esteve no local.
Na região de Trás-os-Montes, o ICNF tem contabilizado oficialmente dezenas de ataques de lobo-ibérico a rebanhos nos últimos anos. Numa fase recente, foram registados 32 incidentes na área do Planalto Mirandês, no distrito de Bragança, num período de 20 meses.
Esta quinta-feira, o Governo reforçou as compensações a produtores de gado atacados por lobo-ibérico. O anuncio foi feito ontem, pelo Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicando que o objetivo é reequilibrar a posição dos agricultores perante as medidas de proteção daquela espécie, mas sem especificar o reforço aprovado.
Os produtores de gado já têm direito a indemnização pelos prejuízos causados por ataques de lobo-ibérico, paga até 50% até ao 15.º ataque atribuído ao lobo em cada ano civil, no âmbito do Programa Alcateia 2025-2035, que tem um orçamento de 3,3 milhões de euros para proteger o lobo e indemnizar produtores.
No país há quatro núcleos populacionais: Peneda-Gerês, Alvão-Padrela, Bragança e Sul do Douro, num total de 58 alcateias (56 confirmadas, 2 prováveis) e cerca de 300 animais.





