Os viticultores vão participar, esta sexta-feira, numa concentração junto ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), no Peso da Régua.
A iniciativa, com início marcado para as 10h00, pretende reivindicar melhores condições para o setor. Com o arranque da próxima campanha à porta, e já iniciado em alguns casos, os agricultores querem denunciar a repetição de problemas que se arrastam há vários anos sem solução, como a existência de uvas sem comprador, a ausência de preços definidos e de datas de pagamento e o aumento contínuo dos custos de produção, que torna a atividade cada vez mais insustentável.
A concentração foi convocada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e pela Associação dos Viticultores e da Agricultura Familiar Douriense (Avadouriense).
Entre as medidas reivindicadas estão o aumento do quantitativo do benefício e a utilização de aguardente produzida na região na produção de vinho generoso. Os viticultores defendem também uma fiscalização mais eficaz da entrada de mostos e vinhos provenientes de fora da Região Demarcada do Douro.
Os produtores consideram que não podem continuar a vender abaixo dos custos de produção e, por isso, exigem a definição de preços mínimos para as uvas, a obrigatoriedade de contratos entre produtores e compradores e a proibição da compra de uvas por valores inferiores aos custos de produção.
Reivindicam ainda que o Governo e o IVDP assumam compromissos com prazos e metas claras, abandonando a aplicação de medidas que consideram avulsas.
O IVDP entregou recentemente ao ministro da Agricultura o Plano Executivo para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor Vitivinícola da Região Demarcada do Douro. Segundo o instituto, o documento pretende corrigir os desequilíbrios estruturais, combater a quebra dos preços e aumentar o rendimento dos viticultores, através de medidas com concretização prevista até 2032. No entanto, os produtores consideram o plano insuficiente.
No ano passado, entrou em vigor uma medida de destilação de crise que, embora considerada insuficiente, permitiu algum alívio ao setor. A Assembleia da República já aprovou, por maioria, a implementação de medidas semelhantes, mas, até ao momento, ainda não houve qualquer concretização.
Entre as restantes reivindicações estão o aumento do quantitativo do benefício, fixado em 76 mil pipas de mosto, com 550 litros cada, para a campanha deste ano, a atribuição à Casa do Douro de capacidade para estabilizar os stocks de vinho e a compra, pelo Estado, de pelo menos 115 mil pipas de excedentes.
Os viticultores exigem ainda a implementação de uma medida de destilação de crise dirigida prioritariamente aos associados das adegas cooperativas e aos produtores que não tenham adquirido vinhos a terceiros.
Fotografia: CNA


