Transformar a segunda edição da Desfolhada na “maior do país” é o desafio assumido pela Associação Viver Mais Murçós, que organiza o evento já no próximo sábado, no concelho de Macedo de Cavaleiros.
Quem o diz é o presidente da associação, Manuel Rodrigues, em entrevista exclusiva à Rádio Onda Livre. As expectativas para esta segunda edição são elevadas e a organização tem reunido esforços para reforçar a programação:
“Vai ser uma segunda edição mais reforçada, digamos assim, com mais pujança, com um maior número de grupos envolvidos, incluindo um grupo que vem diretamente da Sardenha. Vamos ter o grupo de Cavaquinhos do Porto, Cantares de Abragã e ainda de Travanca. Vamos ter depois também algumas experiências com a nossa população. Vamos ter um mercado também ligado aos produtos da terra. A desfolhada deste ano está a ser considerada por aquelas pessoas que estão neste mundo deste tipo de eventos, como sendo a maior desfolhada a nível nacional, quando aqui a tradição é muito forte. Nós estamos com essa expectativa de que vai ser uma desfolhada muito grande, muito divertida, cheia de diversão, de gastronomia também, que nós vamos iniciar à semelhança daquilo que fizemos o ano passado com umas sopas transmontanas. Que levam pão caseiro, alho, o nosso azeite, com a qualidade e ainda os rojões.”
A iniciativa recria uma prática agrícola ancestral e, este ano, propõe-se revisitar os anos 60. Manuel Rodrigues faz também um balanço da edição anterior, que considera ter sido marcante para quem assistiu:
“Nós fizemos no ano passado, no dia 13 de setembro, a primeira desfolhada de Murçós e a primeira da região. Foi uma experiência muito boa. Nós tentámos, com essa primeira edição, aprender muita coisa. Tentámos também trazer de fora alguma sabedoria e foi um evento que ficou marcado na memória das pessoas.”
Uma das grandes apostas desta edição será a animação, acrescenta o responsável:
“O ano passado através das ideias das pessoas que nos visitaram, desenvolvemos a edição deste ano, aprimorando-a. Dos aspetos que mais cativaram quem visitou foi a nossa hospitalidade e a gastronomia.
Nós vamos continuar a fazer uma aposta nos nossos paladares, neste bem-receber que nós sabemos, e depois vamos ter um dia commuita animação. Ela vai continuar, depois do jantar, com cantares ao desafio. Vão participar Pedro Cachadinha, Deolinda e o Júnior, tudo isso, num dia repleto de animação. Este ano vamos canalizá-la ainda mais para os anos passados e vamos recriar os anos 60. E vamos, durante o dia, o corte do milho no terreno sempre acompanhado de cantares e dos grupos tradicionais. Ou seja, como eu já disse vamos cortar o milho, vamos fazer acarreja para o local que temos destinado para isso. “
A programação começa às 08h00, com a concentração dos participantes, seguindo-se o mata-bicho e a apresentação do grupo da Sardenha, em Itália, “As Janas di Maist’é”.
Trata-se de um grupo de figuras tradicionais que representam, no folclore sardo, as janas, fadas ou bruxas benévolas da mitologia local que viviam em pequenas grutas pré-históricas escavadas na rocha, conhecidas como Domus de Janas.
O dia será marcado por várias atividades ligadas à tradicional desfolhada, como a meda, a acarreja, ou transporte do cereal, e a moagem do cereal, entre outras práticas fortemente associadas à gastronomia típica de Murçós.
A organização deixa o convite à população para participar nesta recriação comunitária e, quem sabe, encontrar o milho-rei.
Fotografias: Associação Viver Mais Murçós





