Eclipse solar e Caretos de Arcas: o clique perfeito para a eternidade

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”

É a partir deste verso de Fernando Pessoa que damos a conhecer um dos últimos trabalhos do fotojornalista Henrique Casinhas, que, com o enquadramento perfeito do eclipse solar do passado dia 12 de agosto, retratou uma das tradições mais emblemáticas do concelho de Macedo de Cavaleiros: os Caretos de Arcas, que ganham cada vez mais expressão.

O fotojornalista conta que a ideia partiu de um projeto chamado “Máscaras das Terras Altas”, que desenvolve em parceria com o fotógrafo Hugo Amaral:

“Eu tenho um projeto com um colega, o Hugo Amaral, que se chama ‘Máscaras das Terras Altas’. Estamos a fotografar caretos por toda a Península Ibérica e estamos com este projeto desde 2018.

Já andamos a fotografar os caretos há algum tempo. Em Bragança existem vários, em Podence, em Vila Boa de Ousilhão, e existem mais alguns que ainda nos faltam.

Mas, em Arcas, estivemos lá no Natal passado, no dia 25 de dezembro, contra um bocado a vontade da minha família. Fui com o Hugo, fomos logo de manhã, no dia de Natal, e seguimos para cima. Fomos fotografar os Caretos de Arcas, que saem precisamente nesse dia.”

Foi precisamente com o eclipse solar, que colocou o mundo a olhar para o céu, que Henrique Casinhas se aventurou a retratar esta tradição peculiar da aldeia de Arcas:

“Entretanto, surgiu esta ideia do eclipse, que eu já tinha visto nas notícias. Já tinha mais ou menos esta ideia de fazer esta fotografia. Gosto muito de fazer enquadramentos com os astros e com este tipo de fotografias mais planeadas.

Desde novembro que já tinha esta ideia, mais ou menos pensada, de pôr um elemento dentro do eclipse. E, já que, em Portugal, onde se ia ver o eclipse completo era Bragança, pensei: Bragança, porque não os caretos? Acho que não há nada melhor para nós, fotógrafos.

Ainda por cima, para este meu projeto, também gostaria de fazer este trabalho. Porque não fazer com os caretos?

Só me faltava, no meio de tudo, escolher com quem, quais os caretos em si. Como estivemos, no Natal, na aldeia e criámos uma relação muito gira, porque eu acho que, no dia 25, quando chegámos a Arcas, devíamos ser os únicos portugueses que não eram da aldeia que ali estavam, acabámos por criar ali uma proximidade muito grande com aquela comunidade. Foi muito giro.

Foi assim que surgiu a ideia. Comecei a planear, dois meses antes, talvez. Mais perto da data, liguei para o Nelson, que é uma das pessoas que está mais à frente dos Caretos de Arcas, e ele disse-me logo que sim. Disponibilizaram-se e pronto. Basicamente, foi isto. Depois, foi ir à procura do sítio um dia antes e esperar que corresse tudo bem.”

O projeto “Máscaras das Terras Altas”, iniciado em 2018, deverá ser publicado em livro, acrescenta o fotógrafo:

“A longo prazo, sim, será um livro. Isto tudo começou num grupo de quatro amigos meus, com outro fotógrafo, o Hugo Amaral, com quem estou a fazer isto.

Basicamente, tiramos umas férias juntos. Não é bem umas férias, mas tiramos sempre uns dias, na altura do Entrudo, para ir dar uma volta. Ou seja, é um motivo para nos juntarmos, um bocado um motivo de festa, e juntamos o útil ao agradável e vamos fotografar.

Toda a viagem e todo o conceito disto acabam por ser muito divertidos. Com os nossos amigos fica mais divertido ainda. Eles dois também trabalham com imagem, um é videógrafo, o outro trabalha com edição, mas normalmente, nessa altura, estão só de férias.

Mas nós, eu e o Hugo, estamos a apostar um bocadinho mais nisto. A ideia é ser uma exposição ou um livro, possivelmente. Inclusive, esta imagem, não sei se vai ser ou não, mas tem potencial para ser capa, e acho que podia ser giro.”

Henrique Casinhas nasceu em Sintra, tem 40 anos e é licenciado em Design Gráfico. No entanto, o mundo da fotografia foi sempre uma paixão, tendo-se dedicado inicialmente a retratos de surf e de bodyboard.

Em 2008, tornou-se fotógrafo freelancer e, em 2016, decidiu especializar-se na área do fotojornalismo. Integrou o Canon Student Program, durante o festival Visa pour l’Image, em França.

Colabora com diversos jornais nacionais e internacionais, bem como com agências de imagem globais, percurso que já lhe valeu vários prémios:

“Sim, este ano, já alcancei o segundo lugar na World Photographic Cup 2026. Foi ótimo. Fui representar Portugal e consegui o segundo lugar na categoria de desporto. Fui à Islândia receber o prémio e foi um momento muito importante na minha carreira.

No ano passado, com a mesma fotografia, alcancei também o segundo lugar nos World Sports Photography Awards. E, em 2023, se não me engano, fui distinguido noutra categoria, Urban and Extreme.

Tenho estado sempre muito ligado à área do desporto e tenho sido premiado nessas categorias. Estes três prémios grandes foram os mais marcantes.”

Nos últimos anos, foi finalista dos World Sports Photography Awards, conquistando várias menções honrosas e dois segundos lugares, na categoria Urban and Extreme, em 2023, e na categoria Aquatic, em 2025.

Colabora, em regime de freelancer, com diversas publicações e agências, como National Geographic, Observador, Público, ECO, Champions Journal, The Telegraph, Paris Match, BBC News, jornal AS, Reuters, SOPA Images e Getty Images.

Oiça aqui a peça:

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