Dois anos depois da Rádio Onda Livre ter abordado as dificuldades no arrendamento em Macedo de Cavaleiros, o problema mantém-se. Há pouca oferta, muita procura e os preços subiram.
Luís Sá, da Lar A Gosto, diz que o mercado está semelhante ao de 2024, mas as rendas aumentaram significativamente:
“A procura continua e a oferta continua escassa. Mudaram algumas coisas, sobretudo o preço do arrendamento, que subiu muito mais do que a inflação.”
A procura chega maioritariamente de estrangeiros, segundo avançam os mediadores imobiliários, mas também de famílias e de profissionais que vêm trabalhar para a região, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação.
Luís Sá dá conta de que a criação de novas habitações também é reduzida:
“Eu acho que houve, sim, um período em que os proprietários preferiam ter as casas fechadas do que arrendar, atendendo ao valor das rendas. Neste momento, penso que já é mesmo a oferta que é pouca. A construção nova é pouca e isso faz com que o mercado esteja lotado.”
Para quem procura casa, a realidade traduz-se em meses de espera e em opções que, muitas vezes, ultrapassam o orçamento, afirma Ana Pinto, uma profissional de saúde:
“Estou à procura de casa há cerca de meio ano. Há poucas casas disponíveis. É raro encontrar casa para alugar, tanto nas redes sociais como nas imobiliárias.”
Ana Pinto já recusou uma casa por não conseguir suportar o valor da renda:
“Já recusei casa por custar 600 euros e já ficava demasiado fora do meu orçamento.”
A dificuldade está também a condicionar os planos pessoais da jovem, que confessa já ter entrado em contacto com algumas imobiliárias sobre determinadas casas, sem obter resposta:
“Está a afetar a minha vida porque não me permite iniciar uma vida de casal e tenho que depender de outras pessoas.”
Também o mediador imobiliário Antero Seguro descreve o mercado como particularmente difícil e diz ter, atualmente, mais pessoas à espera de casa do que nunca nos seus 30 anos de atividade:
“O mercado de arrendamento em Macedo de Cavaleiros está repleto, completamente cheio, e tenho gente à espera como nunca tive em 30 anos.”
O mediador aponta também para a existência de casas devolutas que não chegam ao mercado e para a subida dos preços:
“Aqui, há três anos, alugava um T1 por 180 euros. Hoje já estão a pedir 250, 270 euros.”
Para Ana Pinto, uma renda suportável não deveria ultrapassar os 400 a 500 euros. Em Macedo de Cavaleiros, encontrar uma casa dentro desse valor continua a ser uma dificuldade.
Antero Seguro deixa uma sugestão para tentar aumentar a oferta no mercado de arrendamento:
“Era preciso um maior incentivo para o arrendamento, a nível dos proprietários. Por exemplo, a taxa que pagam às Finanças, de 28%, devia baixar, para eles baixarem também a renda e colocarem as casas a arrendar.”
O arrendamento continua a ser uma dificuldade em Macedo de Cavaleiros, tanto para quem procura casa como para as agências imobiliárias, que dizem não ter oferta suficiente para responder à procura.

