A Associação Lutar pelo Douro já reagiu à medida anunciada pelo Governo, no valor de 12 milhões de euros, para apoiar os viticultores da Região Demarcada do Douro.
Joaquim Monteiro, representante da associação, considera que a medida é insuficiente e diz que significa “empurrar o problema com a barriga”:
“É estar na mesma. Trata-se de adiar o problema e de o empurrar com a barriga à frente, mas vamos ver.
Ou seja, não está contente com este apoio do Governo? Não, ninguém pode estar. Isto é mais que contribuir para a desgraça dos agricultores, que estamos desgraçados, porque vai ser o mesmo problema para os próximos tempos.
Quem dita as leis são eles, são os governos, mas com o peso económico dos exportadores e das entidades, como o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) e a Casa do Douro, porque estão todos feitos uns com os outros.”
O apoio será calculado por hectare, seguindo o modelo utilizado na campanha de 2025, com um preço estimado de 50 cêntimos por quilo de uva não vendido.
Para Joaquim Monteiro, este valor pode ajudar na campanha deste ano, mas não resolve os problemas estruturais do setor:
“Isto facilita no presente, mas não resolve nada para o futuro. Não se inicia a recuperação da região. Vai continuar tudo na mesma.
Não vão ser 50 cêntimos que vão ajudar o agricultor na produção, porque este valor é metade do custo de produção.”
De acordo com o responsável, a associação defendia que o valor do apoio fosse destinado à produção de aguardente vínica regional:
“Nós queríamos que o dinheiro dado fosse para fazer a aguardente. É o tema de que eles querem estar sempre a fugir.
A salvação do Douro é a aguardente regional, porque nós temos dois terços do vinho do Porto feitos com aguardente espanhola ou de outro lado qualquer, de uma matéria-prima qualquer. Nós queremos que seja uma denominação de origem, que seja genuína e única.
A forma de não haver estes problemas todos é fazer-se a aguardente das uvas que eles dizem que têm em excesso e, com as pipas que deram atribuídas no benefício, o restante dava perfeitamente para começar já a fazer lotes de aguardente. Mas eles não querem isso.”
A Associação Lutar pelo Douro conta com cerca de 50 associados e tem sede em Ervedosa do Douro. Segundo Joaquim Monteiro, a associação representa as preocupações do universo dos 19.633 viticultores registados na Região Demarcada do Douro.
A crise dos viticultores no Douro resulta da queda acentuada do preço das uvas, das dificuldades em escoar a produção e do aumento expressivo dos custos de produção.

