Um antigo aluno da Lusofly Academy de Bragança, que pediu anonimato, denuncia alegadas situações de intimidação e «jogos psicológicos» na escola de aviação.
As declarações surgem na sequência da decisão da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) de suspender, por seis meses, a certificação da Lusofly Academy.
A fonte afirma que a suspensão não constituiu uma surpresa, tendo em conta os problemas que, segundo relata, já se verificavam na escola:
“É assim, efetivamente, a suspensão da licença da Lusofly, da licença da ATO (Approved Training Organisation), não foi recebida com espanto nenhum. Era uma coisa que já seria expectável, dada a situação que estava a acontecer na escola.”
Entre as dificuldades apontadas está a realização das horas de voo.
O antigo aluno afirma que enfrentou períodos prolongados sem conseguir voar e atribui parte dos problemas ao funcionamento da escola:
“Desde a falta de voos. Eu, basicamente, em três meses tive um voo, foi bastante. Além de todos os problemas que tive com o diretor executivo da escola e com a parte da direção da escola.
Não havia aviões. O avião que havia, cheguei a estar parado em frente a uma bomba e a dizerem-me que eu não podia pôr combustível no avião. Teve que ser cancelado. Os instrutores também, normalmente, estavam sempre atrasados e com algumas desculpas que não faziam sentido nenhum para me cancelarem os voos.”
A fonte refere ainda que, à data em que frequentava a academia, existiam limitações ao nível das aeronaves disponíveis para a formação.
Outro dos aspetos relatados prende-se com o ambiente vivido entre os alunos.
O antigo aluno afirma que existiam alegados mecanismos de intimidação que dificultavam a discussão de determinadas situações:
“Efetivamente, sim, havia jogos psicológicos feitos na Lusofly para que houvesse uma certa intimidação em certos assuntos, nomeadamente até mesmo para podermos ter abertura para falar destas situações.”
Sobre a natureza desses alegados «jogos psicológicos», a fonte fala em intimidações, ameaças e promessas relacionadas com oportunidades profissionais após a conclusão da formação:
“Intimidações, prometer lugares em sítios a seguir ao curso, prometer trabalhos, muitas coisas mesmo. As ameaças, um bocadinho por aí.”
Questionado sobre se as falhas da empresa se devem sobretudo a João Roque ou se também estarão relacionadas com os restantes sócios, o antigo aluno atribui grande parte da responsabilidade ao diretor executivo, embora admita também falhas de outras partes:
“A única coisa que eu efetivamente tenho para dizer mais é que grande parte das coisas com que ele se tentou justificar naquela entrevista até podem ser verdade.
Mas há muitas coisas por trás que acho que ainda vão vir ao de cima, nomeadamente jogos psicológicos e muitas falhas na gestão da empresa que ele se esqueceu, ou por coincidência não lhe apeteceu contar, mas os meios judiciais vão encarregar-se de tratar disso.
Eu diria que grande parte se deve, sim, ao João Roque. Claro que também há de ter havido falhas de outras partes, mas grande parte ao João Roque.”
As declarações acrescentam novos relatos sobre o funcionamento da Lusofly Academy de Bragança, numa altura em que a escola está com a certificação suspensa por seis meses.
Recorde-se que a Lusofly Academy, em Bragança, ministra esta formação há cerca de quatro anos e, segundo o antigo aluno, até à data nenhum aluno terá concluído o curso.
A mesma fonte afirma ainda que, apesar de ter pago pela formação, continua sem receber a parte do investimento correspondente à formação que não terminou na Lusofly Academy de Bragança.
Fotografia – Lusofly Academy

