Macedenses protestam contra o aumento dos combustíveis

Desde sexta-feira passada que os postos de combustíveis da cidade de Macedo de Cavaleiros registaram um aumento significativo de clientes, devido à notícia do aumento do gasóleo em 12 cêntimos o litro e de 7 cêntimos na gasolina.

Fomos perceber juntos dos consumidores as suas principais preocupações.

Um deles que abastecia o seu veículo a gasolina, na sexta-feira passada, Fernando António, habitante em Macedo de Cavaleiros, refere que os valores estão cada vez mais altos e incomportáveis:

“Diga-me uma coisa, este aumento que nós estamos a assistir, está a preocupá-lo? E não é pouco bastante. E o novo aumento ainda mais agora. Ou seja, hoje aproveitou já para abastecer por causa do aumento? Exatamente, por isso. De caminho não ganhamos para comer, nem para andar de carro, temos que voltar a andar a pé, ou comprar um burro, como antigamente. Terá de ser ou uma bicicleta de pedal.

No seu caso particular, com a mulher doente precisa de realizar muitas viagens às unidades hospitalares de Bragança e de Mirandela:

“Preciso de me descolar e muito, porque já é a segunda vez que a minha mulher teve um enfarte, e tenho que andar com ela para Bragança e Mirandela. E preciso do carro, porque ela tem de ir a estes hospitais, três a quatro vezes por semana. Tenho que poupar noutras coisas para poder andar com o carro, para poder levar a minha mulher para um lado ou para outro.”

Também Duarte Silva, agricultor, residente na aldeia do Brinço, garante que estes aumentos afetam em muito o orçamento familiar e o profissional, porque aumentam também os custos de produção:

“Afeta-nos a todos, claro. No meu caso sou agricultor. Tenho máquinas, afeta-me bastante. Claro que sim.”

Acrescenta que a diferença é muito grande no orçamento anual, apesar de ainda não ter realizado contas:

“Não fiz contas, mas é muito mais. É uma diferença muito grande. O nosso produto mantém-se nos mesmo preços, e com este aumento é insuportável.”

Já o empresário Manuel Alves, proprietário de empresa de máquinas de diversões que atravessa todo o país de Norte a Sul, com sede em Ermesinde, garante que a única forma de se deslocar é com recurso a um automóvel movido a gasóleo e os valores estão a ser insuportáveis:

“Ando com um carro a gasóleo. Carros elétricos para nós, não dá. Tem de ser mesmo um carro a gasóleo, porque eu faço muitos quilómetros. E como eu outros. É muita coisa. Sinto que a desgraça está mesmo para vir. Se isto não parar a desgraça está para chegar. Porque as pessoas estão a entrar num ponto de rutura. O carro é fundamental e uma ferramenta para as pessoas nos dias de hoje. A crise está instalada. E penso que está encoberta. E vai agravar mesmo a sério.”

E acrescenta que na sua opinião, que o panorama ainda vai ficar pior:

“Um casal que ganhe acima do ordenado mínimo? Já viu o valor das rendas das casas? Está uma loucura. Eu acho que isso é demais. Tenho uma casa alugada em Ermesinde, mesmo à frente da estação. Os outros senhorios, ao lado da minha têm as casas alugadas a cerca de 800, 900, 1000 euros. Eu não tenho cabeça para chegar ao pé dos inquilinos e pedir esse valor. Quem é que tem esse valor para dar por uma casa. E o que resta, têm de comer, têm que mete gasóleo ao preço do ouro. E onde as pessoas têm dinheiro? Não é preciso ir à China para ver isto.”

A partir de hoje, segunda-feira, os combustíveis aumentaram em 12 cêntimos no gasóleo, e de 7 cêntimos na gasolina.

Esta é uma das maiores subidas desde que começou a guerra entre os Estados Unidos e o Irão e os valores médios dispararam para os mais altos de sempre. É a quarta semana consecutiva que o valor aumentou.

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