O SINTAB critica a ausência de medidas concretas do Governo para garantir a continuidade do Matadouro Industrial do Cachão.
A posição surge depois de o Governo ter respondido, na Assembleia da República, a uma pergunta do Grupo Parlamentar do PCP sobre o processo de insolvência e o futuro da infraestrutura.
Segundo o sindicato, o Governo reconhece a importância territorial do matadouro e os possíveis impactos de um eventual encerramento, mas não apresenta soluções concretas para garantir a sua continuidade.
José Eduardo Andrade, dirigente do SINTAB, considera insuficiente a resposta do Governo:
“De facto, nós estávamos aqui um bocado expectantes. Não é que sejamos ingénuos, mas estávamos aqui um bocado expectantes sobre qual seria a resposta do Governo, ainda para mais numa altura em que se lembraram de fazer um Conselho de Ministros em Bragança.
A verdade é que, quando lemos aquela resposta, vemos que o Governo declara, de forma muito clara, que percebe o problema, percebe o assunto, percebe a dificuldade, mas aquilo que tem para apresentar é nada. Não apresentou nada.”
O dirigente sindical considera existir uma contradição entre o discurso de valorização do interior e a resposta dada pelo Governo relativamente ao futuro do matadouro.
“Pois, é precisamente isso. Repare, nós não podemos deslocar um Conselho de Ministros para Bragança para proclamar a importância do interior e depois, perante a necessidade de dar resposta a uma estrutura fundamental para a região, como é o Matadouro Industrial do Cachão, uma estrutura fundamental para a pecuária, para o emprego e para a economia transmontana, responder apenas que acompanhará a situação se a infraestrutura encerrar.
Aliás, isto até me parece uma falta de jeito na comunicação. Podiam ter dito que estão a acompanhar e não dizer mais do que isso. Mas não. Há aqui um abuso de linguagem no sentido de dizer que acompanharão se ela encerrar.”
A principal preocupação dos trabalhadores, segundo José Eduardo Andrade, é a manutenção dos postos de trabalho. O dirigente sindical considera que não é fácil encontrar emprego na região fora dos setores do comércio e dos serviços.
“A principal preocupação dos trabalhadores é mesmo a continuidade do seu emprego. Repare, estamos a falar de uma zona, de um complexo industrial que já teve milhares de empregos, milhares de postos de trabalho, e que, neste momento, se reduz a umas poucas dezenas.
Temos ali o matadouro, temos a empresa da castanha, temos ali o lagar e temos a empresa das lãs de ovelha. São umas poucas dezenas de postos de trabalho e não é fácil arranjar emprego ali na região, não é fácil arranjar emprego ali na zona, a não ser nos serviços, na cidade, no comércio e nos serviços.”
O SINTAB defende uma intervenção conjunta do Governo e das autarquias para assegurar a continuidade da infraestrutura e considera que o Matadouro do Cachão deve ser valorizado enquanto estrutura de apoio ao setor agropecuário regional.
“Era importante que o Governo e as autarquias se reunissem no sentido de perceber que infraestruturas estão, neste momento, a operar e com capacidade para operar na região, sem que cada uma das autarquias ande a ver se constrói o seu matadouro.
Existe, neste momento, em termos de discussão política em Mogadouro, uma discussão muito acesa à volta do matadouro que está a ser construído, se é excedentário ou se não é face às necessidades da região.
Era importante que fossem aproveitadas as infraestruturas atuais e valorizadas, porque o Matadouro do Cachão é, neste momento, aquele que tem maior capacidade de produção, de transformação de carne, de abate e transformação na região.”
O SINTAB exige que o Governo e as autarquias de Mirandela e Vila Flor apresentem soluções para garantir o futuro do Matadouro Industrial do Cachão e salvaguardar os postos de trabalho e a atividade económica associada à infraestrutura.

