O deputado do PCP alega que as unidades de produção estão a ser configuradas de uma forma “profundamente prejudicial para as populações e para o desenvolvimento da região, devido aos impactos muito negativos que acredita estarem associados a este projeto”.
João Oliveira promete apresentar essa contestação em Bruxelas. Disso mesmo deu conta, esta quarta-feira, depois de ter reunido com autarcas de Miranda do Douro, Mogadouro e membros da Plataforma “Nordeste Vivo”, no âmbito da iniciativa do PCP subordinada ao tema “Recursos da região ao serviço do Povo e do desenvolvimento”.
O Parque Solar Fotovoltaico Planalto em Mogadouro, é um projeto da Lightsource bp que prevê um investimento total de 117 milhões de euros, que terá uma capacidade total instalada de até 130 Megawatts, sendo a eletricidade produzida transportada até à subestação de Mogadouro, pertencente à Rede Nacional de Transporte.
“O deputado europeu do PCP entende que esta instalação vai criar impactos muito negativos e “deviam ser travados porque não satisfazem as populações, não satisfazem as autarquias, e não são consideradas alternativas de unidades de produção de energia de menor dimensão, mais adequadas às características do território, à vivência das populações, às necessidades das atividades económicas”. João Oliveira dá como exemplo o caso de Mogadouro: “Está previsto que pode atingir 1.300 hectares ocupados com painéis fotovoltaicos, o que isto significa a destruição de terras agrícolas, floresta, lameiros, recursos naturais que ficam, pura e simplesmente, desaproveitados para as atividades para as quais hoje estão a ser utilizados, com prejuízo para as populações, com prejuízo para a economia, com prejuízo para o desenvolvimento futuro”, acrescenta, garantindo que leva desta visita à região “um conjunto de elementos que nos dão mais argumentos para continuar a travar esta luta no Parlamento Europeu”.
O deputado europeu do PCP não aceita que os territórios do interior sejam vistos como uma espécie de “caixote de lixo, onde agora se semeiam painéis fotovoltaicos, ou se semeiam torres de aerogeradores e se borrifem as populações que lá vivem, porque isso tem impactos de acentuar a desertificação do território”, diz.
João Oliveira acentua que “não nos serve de nada investimentos que são feitos para darem o máximo lucro no menor tempo possível para que o dinheiro se vá embora, porque em alguns casos estes projetos estão associados a fundos de investimentos estrangeiros, a grandes empresas multinacionais da área de energia que naturalmente aproveitam o nosso solo, as nossas condições ambientais, fazem aqui o lucro e levam-no para fora do país”, conta.
O deputado europeu do PCP sublinha ainda ser “absolutamente imprescindível que as populações, as autarquias, as entidades locais e regionais “têm de ser ouvidas, para garantir que os investimentos que sejam feitos, os projetos que sejam desenvolvidos nesta área correspondam às preocupações, às inquietações que as populações têm”.
Por fim, o deputado defende a necessidade de garantir que “quando tratamos de uma matéria como a produção de energia, isso não seja visto de forma desgarrada de um conjunto de outros fatores que podem e devem contribuir para o desenvolvimento do país e em particular destas regiões”, sustenta.
Depois de ter estado, ontem, em Miranda do Douro, Picote e Mirandela, onde jantou com militantes, o deputado do PCP no Parlamento Europeu, João Oliveira, tem, esta manhã, uma reunião com a população de Covas do Barroso, no concelho de Boticas.
A iniciativa insere-se na intervenção do PCP em defesa de uma política de desenvolvimento regional que combata as assimetrias, assegure o investimento público, valorize o aparelho produtivo e promova a coesão económica e social.
INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)
Oiça aqui a peça: https://ondalivrefm.net/olfm/wp-content/uploads/2026/09/PCP-sobre-projetos-energeticos-2.mp3
Fotografia: Deputados do PCP no PE

