Bienal de Arte Contemporânea “Linha da Terra” em mostra até 31 de dezembro

Regressa a Trás-os-Montes, dois anos depois, a Bienal de Arte Contemporânea Terras de Trás-os-Montes, este ano sob o tema “Linha da Terra”.

A iniciativa, promovida pela Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM TTM), é inaugurada hoje, às 18h00, em Alfândega da Fé, com duas exposições, e pretende ligar o território através da arte.

A Bienal decorre entre outubro e dezembro, com programação distribuída pelos nove concelhos da CIM TTM, reunindo cerca de 160 artistas, 13 espaços e 14 exposições.

A direção artística é da responsabilidade de Inês Falcão, que explica que, depois do tema “Linha de Água”, em 2024, a escolha recaiu agora sobre “Linha da Terra”, procurando ligar os nove concelhos através da arte contemporânea, dos lugares, das pessoas, dos artistas e das diferentes formas de olhar o território:

“A nível do conceito curatorial, nesta edição, a Linha da Terra propõe uma leitura contemporânea do território enquanto lugar de memória, matéria, pertença, tensão e transformação, e parte da ideia de que a arte pode criar novas formas de olhar para um lugar, não apenas representar o território, mas escutá-lo e estabelecer com ele uma relação emocional e sensorial.

A Bienal procura, assim, cruzar práticas artísticas, investigação, pedagogia, participação comunitária e programação cultural, reforçando a identidade de Trás-os-Montes como um território singular, criativo e de referência.”

A Bienal vai acontecer em rede, distribuindo a programação pelos nove concelhos e criando percursos entre diferentes pontos do território, sempre com foco na descentralização cultural, acrescenta Inês Falcão:

“Pretendemos, com esta iniciativa artística e cultural, contribuir para a descentralização da arte e que possa, de alguma forma, expandir-se em diferentes contextos nas Terras de Trás-os-Montes, incentivando os visitantes a momentos reflexivos com a comunidade.

Na Bienal há uma vontade de fazer acontecer, materializar novos projetos curatoriais através dos 15 curadores envolvidos, com intencionalidades para intervirem mais ativamente na democratização e dinamização dos canais da produção e receção artística.

Encetar um esforço através da divulgação deste projeto artístico, tendo sempre como filosofia que as artes e os artistas têm um papel fundamental enquanto promotores da criatividade, da partilha do conhecimento e da diversidade cultural.”

Entre os artistas representados nas exposições estão nomes como Joana Vasconcelos, Álvaro Siza Vieira, Nadir Afonso, Pedro Calapez e Gil Teixeira Lopes, a par de artistas ligados à região.

“É uma viagem pela arte de Trás-os-Montes, com artistas, como lhe disse, de renome, mas queremos que a própria comunidade interaja com essas exposições.

Nós temos definido, ao nível da programação, que ainda não saiu, que todos os curadores vão fazer atividades no território, em cada uma das diferentes geografias, quer com as escolas, quer com as comunidades.

Portanto, nós não queremos que, no fundo, em cada Bienal, haja apenas as obras expostas, mas queremos que, efetivamente, as pessoas sintam e possam usufruir do espaço, das obras de arte e contactar com elas.”

A Bienal é inaugurada hoje, em Alfândega da Fé, às 18h00.

Amanhã, dia 2, segue para Bragança, com inauguração às 18h00, no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira. No dia 8 chega a Miranda do Douro, às 18h00, seguindo-se Mirandela, no dia 9, também às 18h00, e Mogadouro, no dia 10, às 15h00.

Em Vila Flor, a inauguração está marcada para dia 16, às 18h00, seguindo-se Vimioso, no dia 17, às 16h00, Macedo de Cavaleiros, no dia 18, às 16h00, e, por último, Vinhais, no dia 20, às 18h00.

A Bienal de Arte Contemporânea “Linha da Terra” passa, assim, por Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vimioso, Vila Flor e Vinhais.

Em Alfândega da Fé são inauguradas hoje duas exposições.

Na Galeria Eng.º Manuel Cunha ficará patente “José Rodrigues – 90 anos”, integrada no tema “Linha da Terra”, que revisita o percurso e o legado do escultor, aproximando a sua obra das ideias de terra, memória, matéria e pertença.

A exposição tem curadoria de Ágata Rodrigues e direção artística de Inês Falcão.

Já no Lagar D’El Rei será inaugurada a exposição “A Terra Que Nos Habita”, que reúne 20 olhares sobre memória, matéria e transformação.

A mostra cruza diferentes linguagens e aproximações à paisagem, ao corpo, à palavra, à natureza e à experiência, propondo uma leitura contemporânea de Trás-os-Montes enquanto território vivido e imaginado, em permanente transformação.

“A Terra Que Nos Habita” tem curadoria de Cabral Pinto e direção artística de Inês Falcão.

A Bienal conta, para além da CIM TTM e dos municípios, com a parceria da Cooperativa Árvore, do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, do Laboratório de Artes da Montanha Graça Morais, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, do Museu do Abade de Baçal, do Museu do Douro e da Sociedade Nacional de Belas Artes.

A entrada é livre.

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