Macedo de Cavaleiros recebe, de 28 a 30 de outubro, a 8.ª edição das Jornadas da Diabetes, este ano dedicadas à autovigilância e ao autocontrolo da doença.
Os trabalhos decorrem no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, reunindo profissionais de saúde e especialistas de diferentes áreas.
O programa inclui sessões sobre alimentação, contagem de hidratos de carbono e leitura de rótulos, mas também temas clínicos como a doença renal diabética, a diabetes na gravidez e o risco cardiovascular.
O coordenador da Unidade Coordenadora Funcional (UCF) da Diabetes da Unidade Local de Saúde do Nordeste, Raúl Sousa, destaca a importância de aumentar a literacia em saúde para ajudar os doentes e as famílias a gerir melhor a doença:
“Aquilo que se pretende, já que a diabetes é, de facto, uma doença com impacto não só a nível individual, mas também nas famílias e na própria sociedade, é aumentar a literacia em saúde, quer dos indivíduos, quer das famílias, no sentido de serem os próprios a conseguir gerir melhor a doença.
Por isso, consideramos que a autovigilância, por si só, não é suficiente. É importante dar ferramentas à população para que possa também fazer o autocontrolo, ou seja, saber o que fazer com base nos dados que obtém através da autovigilância.”
Estão também previstas sessões sobre exercício físico e terapêuticas não farmacológicas, que assumem um papel importante no controlo da diabetes:
“Exatamente por isso, temos também uma mesa que nos parece muito interessante, dedicada às terapêuticas não farmacológicas na diabetes.
O controlo da doença não depende apenas de medidas farmacológicas, mas também de vários fatores, nomeadamente da alimentação e do exercício físico. Todas estas medidas e ferramentas podem ajudar a controlar melhor a diabetes.
Isso só se consegue se a pessoa estiver bem informada sobre a doença e sobre o impacto que tem na sua vida. É por isso que, este ano, o tema é a autovigilância e o autocontrolo.”
As jornadas contam com a participação de profissionais de diferentes áreas da saúde e têm como convidado de honra João Sérgio Neves, médico endocrinologista na Unidade Local de Saúde de São João, no Porto, professor auxiliar convidado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e investigador nas áreas da endocrinologia e do metabolismo.
A organização já ultrapassou as 200 inscrições, com participantes provenientes de vários pontos da região Norte:
“Temos vindo a receber muitas inscrições, não só a nível local, mas também de profissionais da zona Norte, nomeadamente do Porto e de Vila Real. Neste momento, já ultrapassámos as 200 inscrições.
Penso que vamos ter, à semelhança dos anos anteriores, uma boa adesão, o que é motivo de satisfação e nos dá ânimo para continuar a realizar estas jornadas, que já vão na oitava edição.”
A edição de 2025 contou com cerca de 180 inscritos, num ano em que a realização das eleições autárquicas coincidiu com as jornadas e contribuiu para uma menor participação. Em 2024, o encontro reuniu cerca de 350 participantes, entre profissionais de saúde e membros da comunidade.
Em Portugal, segundo os dados referidos por Raúl Sousa, cerca de 1,3 milhões de pessoas têm diagnóstico de diabetes, o que corresponde a uma prevalência de 14,2%. O responsável aponta ainda para mais de 90 mil novos casos no último ano:
“Estamos a falar de uma doença cuja prevalência tem vindo a aumentar a nível nacional. Neste momento, 14,2% da população tem diabetes, o que significa que existem, em Portugal, cerca de um milhão e 300 mil pessoas com diagnóstico da doença.
É um número muito elevado e uma realidade que continua a crescer, uma vez que a incidência também tem aumentado. No ano passado, surgiram, por exemplo, mais de 90 mil novos casos.
Este aumento está relacionado, em parte, com os comportamentos e os estilos de vida da população.”
No Nordeste Transmontano, estima-se que existam cerca de 15 mil pessoas com diabetes. A prevalência regional é superior à média nacional, segundo o coordenador da UCF da Diabetes, que destaca também a importância da articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares:
“Neste momento, estamos a apurar os dados relativos ao Nordeste Transmontano. Posso adiantar que temos cerca de 15 mil pessoas com diabetes, o que corresponde a uma prevalência que, à semelhança dos anos anteriores, é superior à média nacional.
Esta diferença poderá estar relacionada com o facto de, na região Norte, existir um registo mais atempado e rigoroso dos casos. Ainda assim, a prevalência na região é superior à média nacional, embora não de forma muito acentuada.
Ao nível dos cuidados de saúde primários, tem havido uma maior atenção no acompanhamento destes doentes. A articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares é também fundamental.
Quando essa ligação funciona como pretendemos, permite-nos ter doentes mais bem controlados e mais informados sobre a sua doença.”
As jornadas são organizadas pela Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULS Nordeste), através da Equipa de Coordenação Local do Programa Nacional para a Diabetes, com o apoio da Associação dos Diabéticos do Distrito de Bragança, do município de Macedo de Cavaleiros e de entidades da área farmacêutica.
O programa começa a 28 de outubro, com um workshop dedicado à nutrição, dinamizado pelo Serviço de Nutrição e Alimentação da ULS Nordeste.
O último dia reserva espaço para a apresentação de pósteres e comunicações orais, promovendo a divulgação de conhecimento científico e a partilha de trabalhos desenvolvidos nesta área.
As 8.ª Jornadas da Diabetes decorrem até 30 de outubro, em Macedo de Cavaleiros, com o objetivo de atualizar conhecimentos científicos e promover a partilha de experiências sobre prevenção, acompanhamento e tratamento da diabetes.
Oiça aqui a peça:
Veja aqui o programa:


