Forças de segurança exigem melhores condições e cumprimento dos acordos em Vila Real

A falta de efetivos, as condições das instalações e os vencimentos continuam a marcar as reivindicações dos profissionais de segurança. Em Vila Real, a PSP e a GNR juntaram-se ontem, na Praça do Município, numa ação de protesto sob o mote  “Por um Portugal seguro para todos”.

Baltazar Correia, coordenador da Delegação da Região Norte da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), alerta para as dificuldades que afetam o funcionamento dos postos e o afastamento dos jovens da carreira:

“A nível nacional, ainda vemos, nos dias de hoje, em 2026, situações lamentáveis em alguns postos e esquadras, onde continua a chover bastante dentro das instalações e onde existem roedores.

São situações que, atualmente, nunca deveriam acontecer.

Tudo isto acaba por contribuir para afastar os jovens que querem ingressar nas forças de segurança. Não querem fazê-lo perante estas condições.”

Além das condições de trabalho, Baltazar Correia aponta os vencimentos e o incumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo como obstáculos à valorização da carreira:

“O Governo não cumpre as palavras que nos transmite nem os acordos que assina connosco.

Estamos há 10 anos e quatro meses à espera, pelo menos desde a assinatura do acordo. As palavras bonitas ficam para trás, mas não pagam as contas ao fim do mês. E o Governo continua a falhar connosco constantemente.

Os jovens não querem ingressar nas forças de segurança porque a carreira não é atrativa.

Ao nível das reformas, como o Paulo referiu há pouco, também temos esse problema.

Os profissionais vão começar a sentir os cortes nas reformas, que poderão chegar aos 35%. Se as reformas já não são elevadas e ainda sofrem uma redução desta dimensão, é evidente que a carreira deixa de ser atrativa.”

O envelhecimento dos profissionais e a dificuldade em substituir quem sai agravam a falta de recursos humanos.

Paulo Pereira, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), aponta uma média de idades próxima dos 57 a 58 anos e critica a criação de novas unidades sem o necessário reforço dos efetivos:

“Há falta de efetivos por todas as razões que já foram apontadas.

Se tivermos em conta que, com 10 milhões de habitantes em Portugal, já existiam problemas estruturais na educação, na saúde e nas forças de segurança, e que entretanto houve um aumento de mais um ou dois milhões de habitantes, ou seja, de 10% a 20%, deveríamos ter um reforço dos efetivos na mesma proporção.

Mas isso não acontece.

Pelo contrário, criam-se novas unidades, o que é positivo, mas não se repõe o efetivo.

Por isso, não podemos dizer que se trata de um reforço, porque estamos a retirar elementos das esquadras para os colocar nessas novas unidades.”

Paulo Pereira considera que é necessário um maior investimento nas forças de segurança e defende que o cumprimento dos acordos é essencial para devolver a confiança aos profissionais e tornar a carreira mais atrativa.

INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Universidade FM)

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