Morreu Jorge Palma, aos 76 anos, um dos nomes maiores da música portuguesa

Jorge Palma morreu esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, deixando uma obra que marcou várias gerações ao longo de mais de cinco décadas de carreira.

A notícia foi anunciada pela família do músico e pela agência Bairro da Música, através de uma mensagem partilhada nas redes sociais, manifestando “profundo pesar e consternação”.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reagiu também à morte do músico, enaltecendo o legado deixado à cultura portuguesa.

“Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”, escreveu numa mensagem publicada na rede social X.

Também o Presidente da República, António José Seguro, manifestou “enorme tristeza e consternação”, considerando que “Portugal despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade”.

“As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia; elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações”, acrescentou o chefe de Estado.

Ao longo desta terça-feira, multiplicam-se as manifestações de pesar e homenagem nas redes sociais, vindas de músicos, artistas, políticos, jornalistas, amigos e admiradores de Jorge Palma.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou a estudar piano ainda em criança e, no final da década de 1960, integrou bandas como os Black Boys e o Sindicato.

A carreira a solo arrancou em 1972, com o single “The Nine Billion Names of God”. Três anos depois, em 1975, editou o primeiro álbum, “Com Uma Viagem na Palma da Mão”.

Ao longo da carreira integrou também projetos como os Rio Grande, Palma’s Gang e Cabeças no Ar.

Entre os trabalhos mais marcantes da sua discografia estão “O Lado Errado da Noite”, “Bairro do Amor”, “Só”, “Jorge Palma”, “Norte” e “Voo Nocturno”, este último distinguido com dupla platina. O último álbum de originais, “Vida”, foi lançado em 2023.

Em 2020, Jorge Palma foi distinguido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, em reconhecimento pelo contributo para a cultura portuguesa.

Cantor, compositor e pianista, tornou-se uma das figuras mais influentes da música portuguesa contemporânea, cruzando ao longo da carreira o rock, o folk e a formação erudita.

Deixa dois filhos, Vicente e Francisco Palma, também músicos, com quem criou o espetáculo “3 Palmas na Mão”, apresentado pela primeira vez em 2024.

Jorge Palma passou também por Macedo de Cavaleiros. Atuou no Centro Cultural, no dia 20 de setembro de 2024, num concerto em formato acústico, acompanhado pelo filho Vicente Palma e por Gabriel Gomes, músico ligado aos Madredeus e à Sétima Legião.

Jorge Palma deixa uma carreira com mais de meio século e canções que ficaram na memória coletiva, como “Bairro do Amor”, “Frágil”, “Deixa-me Rir”, “Dá-me Lume” e “Encosta-te a Mim”.

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