A população da freguesia de Covas do Barroso, no concelho de Boticas, iniciou esta manhã, um bloqueio popular aos trabalhos da empresa britânica Savannah Resources, nos terrenos baldios sob servidão administrativa, como forma de protesto contra a imposição do projeto Mina do Barroso.
O bloqueio tem como objetivo a interrupção total dos trabalhos numa das áreas da servidão administrativa, como refere o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, Nelson Gomes:
“Pretendemos aquilo que já temos vindo a defender ao longo destes oito anos, que é parar este projeto.
E, neste momento, já recorremos a todas as alternativas que estavam ao nosso alcance. Não há ninguém, o Governo não quer saber de nós, as entidades não querem saber de nós.
Ninguém dá ouvidos à população e a população tem que se unir e fazer justiça pelas próprias mãos.
Só há uma forma, que é tentar bloquear os trabalhos, é não deixar a empresa trabalhar. Foi o que foi feito de manhã, é o que se mantém e o que se vai manter no futuro.
Temos outras iniciativas preparadas para continuar. Temos processos em tribunal, temos outras ações programadas.
Chegámos a um ponto em que as coisas têm que escalar, porque nós já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.
Tentámos a via legal, tentámos denunciar a vontade da população contra este projeto e o porquê de estar contra este projeto. Ninguém quer saber.”
A população diz que tem vindo a denunciar atentados ambientais à declaração de impacto ambiental por parte da Empresa Mineira, mas a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) nada faz:
“Temos aqui dois casos: a desmatação fora do período em que é permitida, que é uma das condicionantes da Declaração de Impacte Ambiental, e a recolha de água nos coros, no ribeiro.
Também é uma das condicionantes. Eles dizem que não vão parar o ribeiro.
Denunciámos estas duas situações e não obtivemos qualquer resposta por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A APA comporta-se como promotora deste projeto e não como entidade fiscalizadora.
Para nós, isto não faz qualquer sentido. Um projeto com o qual nós não concordamos, um projeto que é contra a vontade das populações.
E isto está demonstrado porque a empresa só consegue fazer trabalhos recorrendo a servidões administrativas e, mais tarde, terá que recorrer à expropriação dos terrenos.
A população não aceita e tem todo o direito de não aceitar, porque é o modo de vida da população que está em jogo.
Não é este o modo de vida que queremos para a nossa região, não é este o desenvolvimento que queremos para a nossa região.”
Nelson Gomes diz que a população de Covas do Barroso sente-se esquecida e abandonada:
“Completamente, porque sempre que fazemos qualquer denúncia não somos atendidos. Sempre que a empresa faz uma denúncia, é logo atendida.
Neste momento, estamos aqui a fazer o bloqueio. Tivemos a GNR, que está dentro de uma plataforma onde a empresa está a fazer trabalhos. Meteram os carros lá para dentro.
Têm estado toda a manhã em diálogo com membros da empresa e, com a população, não houve nenhuma comunicação.
Quer dizer, houve quando foi no início, na identificação. Identificaram todas as pessoas que estavam aqui.
Entretanto, chegou o comandante e o que tem feito é estar em diálogo com a empresa há mais de uma hora.
Quer dizer, para a população, as únicas palavras que dirigiu foram que tinham que se afastar 50 metros, por uma questão de segurança.
Quando as pessoas não estão proibidas de andar no baldio, de circular à volta dos trabalhos que estão a fazer.”
A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso garante que a luta vai continuar:
”Até que este projeto pare.
Este projeto terá sempre a oposição da população.
Nós acreditamos que não vai avançar, acreditamos que este projeto não vai para a frente, mas, se um dia chegasse a avançar, teria sempre a população contra.
E sabemos bem que um projeto que tenta ir contra a vontade das populações, sem licença social para operar, é um projeto sem sucesso.”
O bloqueio da população de Covas de Barroso aos trabalhos de prospeção da Savannah Resources resulta de uma decisão comunitária sobre a “necessidade de escalar a resistência ao projeto da Mina no Barroso, atendendo ao que tem sido a inflexibilidade do governo em escutar as reivindicações da população.”
INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Universidade FM)

