CCDR-Norte quer criar cluster da construção e mobilizar 285 milhões de euros para a habitação

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) quer impulsionar a criação de um cluster da construção e inovação na região, envolvendo empresas, municípios, ordens profissionais e entidades do sistema científico e tecnológico.

O objetivo é reforçar a competitividade do setor, promover a inovação e criar capacidade para concorrer diretamente a fundos europeus.

O anúncio foi feito pelo presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos, durante a Cimeira da Habitação do Norte, realizada esta quarta-feira, em Vila Nova de Gaia, à porta fechada.

O encontro reuniu vários municípios, as dez maiores empresas de construção da região e ordens profissionais, com o objetivo de discutir respostas aos desafios da habitação e preparar uma Agenda para a Habitação no Norte.

A iniciativa pretende aproximar as entidades que planeiam, licenciam e executam os projetos, aproveitando a capacidade empresarial e a experiência internacional das empresas da região.

Na mesma cimeira, Álvaro Santos anunciou que a reprogramação do NORTE 2030 permitiu mobilizar 285 milhões de euros para a habitação.

Desse montante, 134 milhões de euros já estão disponíveis através de um aviso dirigido aos municípios, aberto até ao final do ano.

Está ainda prevista uma verba entre 60 e 70 milhões de euros para apoiar o arrendamento acessível, destinado sobretudo a famílias com rendimentos intermédios e a jovens.

A CCDR-Norte prepara também avisos para alojamento estudantil e para casas de função, que permitam aos municípios atrair e fixar profissionais considerados essenciais, nomeadamente nas áreas da saúde, educação, justiça, segurança e proteção civil.

O diagnóstico apresentado na cimeira aponta para uma forte pressão sobre o mercado habitacional.

Em 2025, a região Norte foi responsável por 45,5% dos fogos licenciados em Portugal e 45,3% dos fogos concluídos.

Ainda assim, os preços da habitação têm crescido muito acima dos rendimentos. Entre 2015 e 2025, a avaliação bancária por metro quadrado aumentou 146,6%, enquanto o salário líquido mensal subiu 61,4%.

Entre as prioridades identificadas estão o aumento e a diversificação da oferta habitacional, a reabilitação de imóveis devolutos, a melhoria do acesso à habitação, a simplificação dos processos de construção e o reforço da articulação entre municípios e agentes privados.

Os contributos recolhidos vão agora ser trabalhados pela CCDR-Norte e pela Ordem dos Engenheiros – Região Norte, com vista à elaboração da Agenda para a Habitação do Norte, que deverá definir medidas de curto prazo e orientações estratégicas até 2040.

Fotografias: CCDR-N

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