Sábado, o Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros recebeu a estreia nacional da peça “O Sacos das Nozes”, em jeito de homenagem ao autor, António Manuel Pires Cabral.
A história de uma aldeia imaginário, onde as mulheres mandam nos homens, o que desperta a atenção do bispo da diocese, e leva o padre da paróquia a oferecer um saco de nozes, um bem caro, ao homem que provar mandar em casa.
Não foi a primeira vez que esta história, escrita em 1982 e inspirada em histórias que circulam nas aldeias um pouco por todo o país, foi levada a palco, mas foi a primeira vez que foi feito por uma companhia de teatro profissional, pela Filandorra.
O enredo, esse, empurra para a necessidade de harmonia entre os casais, explica Pires Cabral.
“Tem que haver uma mensagem, as pessoas estão habituadas a que haja mensagem às vezes uma simples diversão pode ser uma mensagem mas não é o caso também. As pessoas divertiram-se mas há uma mensagem por trás disto tudo, de fato porque é que a harmonia entre os casais é que é realmente a atitude correta. Nós partimos de uma situação em que são as mulheres a mandarem nos homens, isto é a tese, depois há a antítese que é um caso que de qualquer forma contraria essa situação que é o Manuel mandar na Cremilde, portanto há tiranização da mulher para o homem que também não está certo e daí nasce uma síntese que é a harmonia, pois aqui é que está de fato o meio termo certo e é essa mensagem que eu pretendo deixar com esta pesa.”
No final, Pires Cabral foi homenageado em palco. No entanto, considera ser cedo para consagrações, e pede que o deixem trabalhar um pouco mais.
“Como eu disse a pouco acho que as homenagens tem altura própria para serem feitas, não é altura ainda para fazer a homenagem, se querem chamar assim eu deixo mas não considero que esta a ser homenageado neste momento, pois continua a ser cedo para homenagens deixem-me trabalhar mais um bocadinho e depois se verá se realmente há lugar ou não para homenagens. O momento presente nunca é bom conselheiro em relação a isso, temos que deixar sedimentar os tempos.”
Esta homenagem contou com o apoio da Direção Regional de Cultura do Norte e do Secretário de Estado da Cultura. O diretor da Direção Regional de Cultura do Norte , António Ponte, esteve presente e salienta a importância de um reconhecimento nacional ao autor.
“Há uns meses atrás o Dr. David Carvalho contatou o Ministro Geral da Cultura no sentido de auscultar a nossa vontade de colaborar numa homenagem a António Pires Cabral, um dos grandes autores do norte de Portugal e do país do ponto de vista global. Desde da primeira hora que entendemos que seria muito interessante por um lado a direção Geral da Cultura associar-se mas tentar também que o próprio Secretario de Estado o fizesse dando um reconhecimento nacional da importância do autor na cultura portuguesa. Nesse sentido a direção Geral da Cultura apoiou a produção e produziu integralmente a exposição que acompanhará esta pesa de teatro, esta homenagem. O Secretario de Estado da Cultura apoiou financeiramente a produção desta obra, porque entendemos de fato que é uma forma de valorizarmos os autores da região, promovemos a sua divulgação e a obra que eles têm vindo a desenvolver ao longo dos tempos.”
Também a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros apoiou a iniciativa da Filandorra, e se aliou para homenagear o macedence Pires Cabral.
“A Filandorra fez-nos a proposta em homenagear o António Pires Cabral que é um autor da terra e um filho de Macedo, um macedense nato. De imediato por ser filho de Macedo e por ser quem é e a figura que é resolveu avançar para o projeto com a Filandorra, depois também a Secretaria de Estado da Cultura também apoiou este projeto também pela figura do autor consagrado já a nível nacional. Esta peça vem de encontro ao que está a ser feito em todo o país, a integração da família e de todas as causas que tem estado em causa.”
David Carvalho foi o encenador desta peça. A estreia deixou-o contente, e vai haver mais apresentações, até além-fronteiras.
“Pareceu-me que estava toda a gente satisfeita, porque quando não se gosta bateia-se antigamente era ovos e levantavam-se e iam embora. O sorriso parecia-me muito genuíno, as palmas também e portanto sou um homem feliz, muito fatigado mas contente e nasceu mais um projeto que esta esgotado já até ao final de Janeiro e penso que vai rolar por aí a fora. Amanhã é Chacim. Onda Livre – Depois de Chacim esta peça vai para onde? Para o teatro de Vila Real quinta e sexta, logo a seguir sábado para o grande teatro do Douro e depois Cinfães, Foz Coa, Vinhais e no Verão idas a Paris nas associações portuguesas e em cooperação com 2 universidades onde se estuda a língua portuguesa, a universidade de Nanterre e a Sorbonne.”
Há ainda uma exposição icono-biográfica do escritor, que vai acompanhar a digressão.
“O Saco das Nozes”, uma peça de teatro de Pires Cabral escrita há 33 anos, e que chega agora à representação por uma companhia profissional.
Ontem, domingo, a peça esteve em Chacim, terra natal do autor. Depois, vai percorrer Trás-os-Montes, e no verão deve chegar a França.
Escrito por ONDA LIVRE




