40% do território nacional está em seca severa e extrema

Perante um mês de abril quente e sem chuva e um mês de maio que vai pelo mesmo caminho, a situação de seca já começa a causar algum alarme.

Estima-se que a situação pode ser mais grave do que a do ano passado. Neste momento, 40% do território nacional está em seca severa e extrema.

Leonel Folhento, presidente do Núcleo Regional de Bragança da Quercus, uma Organização Não Governamental de Ambiente, diz que as pessoas não têm, diretamente, o poder de mudar este tipo de fenómenos, mas há medidas que fazem a diferença:

“Uma pessoa, tendo em conta a Organização das Nações Unidades, precisa de 110 litros de água por dia para tomar banho, fazer a sua higiene pessoal e outras tarefas, no entanto, a Agência Portuguesa do Ambiente diz que em Portugal a média de consumo é de 190 litros. Logo aqui há um consumo excessivo de água em 80 litros por pessoa. Podemos ter algum cuidado”.

Os valores meteorológicos registados em abril colocam-no entre os cinco mais quentes desde 1931. O mês foi marcado por três ondas de calor e por temperaturas superiores a 30 graus, tendo sido, em termos de risco de incêndio, o mais severo desde 2003. Ainda assim, Leonel Folhento explica que estes fenómenos são característicos do nosso país e também da região:

“Vivemos numa zona característica que é a bacia do mediterrâneo e o clima caracteriza-se por termo invernos chuvosos e verões secos. Houve uma precipitação acima do normal em setembro, outubro, novembro e dezembro e abaixo do normal o janeiro, fevereiro e março, isto é característico da região, mas também é um fenómeno global as secas”.

O que causa algum alarme é ter dois ou mais anos seguidos em que estes fenómenos de seca se registem. O normal era que houvesse algum espaço temporal entre anos como o de 2022.

Perante o cenário que se viveu no ano passado, a Agência Portuguesa do Ambiente chegou a ajudar alguns municípios do distrito de Bragança a comprar camiões-cisterna para ajudar a fazer face à falta de água. Foram medidas como esta as que se foram tomando. Tentámos contactar a APA para perceber se mais medidas de contingência serão tomadas e se chegam, mas, até agora, não houve resposta.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)