As seleções nacionais de futsal sub-15 feminina e masculina realizaram, pela primeira vez, um estágio de preparação no distrito de Bragança este fim de semana.
No sábado encontraram-se com as homólogas espanholas em Bragança e no domingo em Macedo de Cavaleiros.
A equipa feminina empatou no primeiro e perdeu no segundo jogo. Mas mais importante do que os resultados, é a experiência que estes jogos conferem, e ainda há um longo caminho a percorrer para isso em Portugal, refere o treinador, Rui Azevedo:
“Temos que melhorar a nossa formação em Portugal, no geral, para melhorar fisicamente toda a gente.
Por normal, nas idades mais jovens, nota-se ainda esta diferença física. Quando vamos subindo de escalão, vamos conseguindo melhorar mais.
Se as espanholas já treinam três ou quatro vezes por semana e nós só duas, nesta altura ainda faz diferença.
A adesão de jovens à modalidade tem sido boa, temos vindo a crescer mas ainda não estamos nos números que gostávamos, que seria as cinco mil atletas no geral. Crescemos na base, que é o mais importante, mas temos de trabalhar para tentar trazer mais jovens.
Esta seleção e a forma como convocámos também foi um pouco com esse intuito.
Fizemos dois estágios antes, chamámos 30 num, 30 em outro, e dessas 60 selecionámos 14.”
Estágios que se revestem de uma maior importância ao acontecer em zonas do interior como Bragança, onde o futsal feminino ainda não tem tanta expressão:
“Levar o futsal ao interior e às regiões que tenham menos atletas é um dos principais objetivos, para ver se ao verem estes jogos também se sentem motivadas e querem vir praticar.
Andamos pelo país e sempre que temos jogos internacionais procuramos ir a regiões que tenham menos atletas, no geral, para tentar motivar, sem descurar o país todo. Tentamos não repetir. Como viemos agora a Bragança, no próximo ano se calhar vamos a outra zona do país, tentando sempre trazer mais gente para o futsal feminino, principalmente na base.”
Jorge Braz, treinador da seleção A masculina, integrou a organização deste estágio.
Para ele, estes encontros são importantes, para formar os atletas do futuro:
“Isto não é só jogar, é ter comportamentos adequados, conciliar com os estudos, perceber que a escola é muito importante e este é um complemento formativo para eles, que pode abrir portas no futuro.
Olhar para esta carreira que podem ter e nós estamos cá para ajudar a formar estes atletas, homens e mulheres do futuro.
Há muito potencial, o talento depois somos nós que o temos de desenvolver.
Sempre disse que somos um país que adora ter uma bola nos pés, depois é uma questão de lhes proporcionar oportunidades e percursos formativos adequados, para aí o talento se desenvolver.”
O distrito tem vindo a receber estágios da Federação Portuguesa de Futebol, o que é uma mais-valia para incentivar ao surgimento de novos atletas na região, em especial no feminino, Daniel Branquinho, do Gabinete Técnico da AFB:
“É importantíssimo. Temos de ganhar cada vez mais atletas e interessados em todas as modalidades, mas o futsal é sempre um pouco mais especial porque é um ponto específico do desporto e, cada vez mais, principalmente no feminino, temos menos meninas a jogar e temos de crescer. O ano passado crescemos, este ano também, e o facto de termos estes jogos de preparação penso que é um incentivo para elas poderem praticar mais a modalidade e crescerem no distrito.
O facto de o ano passado termos recebido jogos de desenvolvimento da seleção de futebol, já fez com que surgissem mais interessados, assim como com o torneio interassociações em dezembro de futsal feminino.”
A equipa feminina empatou no primeiro encontro, sem golos, e perdeu no segundo por 5-0.
A masculina perdeu os dois encontros por 1-8.
Escrito por ONDA LIVRE




