O presidente do Município de Valpaços pede ao Governo apoio para os produtores de castanha, este ano muito afetados pelas quebras de produção.
Naquele concelho, num ano normal, a castanha representa cerca de 50 milhões de euros, com uma produção a rondar entre as 12 e as 15 mil toneladas, mas este ano não deverá ir além das duas mil.
Grande parte é oriunda da Serra da Padrela, em Carrazedo de Montenegro, onde foram registadas quebras superiores a 80%, chegando a 100% nas zonas mais altas.
Amílcar Almeira teme pela sustentabilidade da população e do próprio território:
“Não queremos que o estado substitua a perda total mas sim que tenha medidas específicas. Que estudem, pois têm muita gente nos gabinetes e nos ministérios, então que procurem alternativas para que as pessoas continuem a encontrar na agricultura a sua sustentabilidade e, consequentemente, a sustentabilidade de um território que está cada vez mais ao abandono.
Há muita gente que encontra aqui a sua sustentabilidade e da sua família. Estamos a falar no território da terra fria, terras de Montenegro, em que impera unicamente uma uma monocultura, que é a castanha, e que já o ano passado não foi excelente. Agora, com um ano péssimo, como é que vamos pedir a essas pessoas que façam para continuar a manter os filhos na escola e para continuar a pagar as contas.Tem de haver uma maneira de ver o problema de forma diferente daquele que o ministério está a ver.Se efetivamente nada for feito no setor primário, é convidar as pessoas a ir embora daqui.”
Uma quebra significativa originada por dois fatores: a septoriose, um fungo que afeta os castanheiros, e as mudanças abruptas de temperatura, entre agosto e o início de outubro.
Além da quantidade, também alguma da qualidade foi afetada, levando a uma baixa no preço pago ao produtor:
“Num ano de fraca produção, esperaríamos que o preço pudesse disparar.
Mas infelizmente não foi o que aconteceu e está muito diferente do que em anos anteriores.
Neste momento o preço está-se a cifrar à volta de 1,50€, o que terá a ver também com alguma quebra de qualidade, embora não seja má castanha.”
A castanha é o motor da economia de Carrazedo de Montenegro, que este ano também se vai sentir com a quebra, refere o presidente da junta, António Costa:
“A castanha é a alavanca do concelho.
Representa milhões de euros e sempre que há uma boa produção tudo se reflete.Mexe muito com a economia do concelho porque não havendo receitas como é que as pessoas conseguem sobreviver?A castanha de Carrazedo de Montenegro é a sobrevivência das terras frias de Montenegro.Este ano será um pouco difícil para a economia de Carrazedo de Montenegro e esperemos que o próximo seja melhor.”
De 10 a 12 de novembro, Carrazedo de Montenegro promove a XXVI Feira da Castanha Judia, na qual, apesar do mau ano, ambos os autarcas reforçam que não faltará boa castanha:
“Temos bom produto, não só castanha mas também de todos os outros que são produzidos no concelho de Valpaços.”
“A castanha não terá a mesma qualidade que em anos anteriores mas ainda é excelente.Estou confiante que a castanha que será apresentada nesta edição garantirá que aqueles que a comprem tenham boa qualidade no produto.”
A feira conta este ano com 85 expositores. Além da mostra e venda de produtos haverá também magustos, concurso da castanha, animação musical e, no último dia, um dos pontos altos do certame com a abertura do maior bolo de castanha, de 600kg.
Escrito por ONDA LIVRE






