Dinamizar os territórios rurais através do turismo de aldeia.
Este é o objetivo do projeto da Associação do Turismo de Aldeia (ATA) que está em curso, e que passou pela aldeia de Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, onde se debateram as políticas públicas e os desafios potencializadores do turismo rural.
A escolha de Chacim não foi ao acaso, prendendo-se com o facto da aldeia congregar características singulares, o que fez com que fosse eleita para receber o carimbo de uma das Aldeias de Portugal.
A presidente da ATA, Ana Paula Xavier explica em que consiste este projeto.
“Associação do Turismo de Aldeia é uma rede sustentada numa marca que pretende valorizar núcleos rurais de interesse patrimonial, cultural, social, económico e que conjugando estas varias vertentes sejam diferenciadores dos territórios onde se inserem. Este projeto é sustentado nas associações de desenvolvimento local de cada território e como tal todos eles têm como objetivo identificar os núcleos rurais e que tipos de intervenções são necessários. Não há uma estratégia igual, há uma estratégia comum mas adaptada à realidade de cada território.”
A responsável enumera as características a que o núcleo rural deve obedecer para receber a marca Aldeias de Portugal.
“Tem que existir património edificado rural de interesse, pode não estar recuperado mas com margem para recuperar. Ter uma atividade cultural e social dinâmica que envolva a população. Queremos aldeias com vida, queremos pessoas. Têm que haver uma dinâmica social porque se não estamos aqui a promover aldeias que estão vazias em termos de população. Sabemos que é difícil uma aldeia ter muita gente mas queremos pelo menos os que pertencem aqui, ficarem. As atividades económicas são importantes, o turismo, o alojamento turístico, a restauração, o pequeno café, a pequena restauração, a pequena venda de produtos locais (se existirem). Quanto mais atividades surgirem em torno do núcleo rural mais forte é a aldeia para ser uma Aldeia de Portugal.”
O presidente da Junta de Freguesia, José Génio vê com bons olhos esta distinção e acredita que irá potenciar o turismo da aldeia através da valorização dos recursos naturais e culturais de Chacim.
“É uma aldeia com história. Tivemos aqui grandes homens, grandes pessoas. Temos o caso do António Maria da Costa e a Berta (filha dele), foi quem mandou construir as escolas primárias, deixou vários terrenos e a Casa de Santo António. Temos também o fundador da Caixa Agrícola, pessoas que não devemos esquecer e acho que se deve muito mérito a eles. A nossa aldeia ainda não morreu de todo, nem quero que morra. A aldeia de Chacim tem um restaurante, um solar, tem Balsamão, o colégio Ultramarino Nossa Senhora da Paz , uma escola primária, a Caixa Agrícola, três cafés, três comércios, uma padaria, bombas de gasolina e duas oficinas. Não gostava que ela caísse, gostava que a minha aldeia fosse para a frente.”
A DESTEQUE, Associação de Desenvolvimento da Terra Quente será o agente local que irá fazer as intervenções para o melhoramento da aldeia de Chacim.
A primeira intervenção vai recair sobre a Casa do Povo de Chacim, através de uma candidatura ao eixo 3 do PRODER.
O presidente da direção da DESTEQUE, Duarte Moreno quer com isto preservar o património rural e atrair população.
“A DESTEQUE é uma associada da Associação do Turismo de Aldeia, ao ser associada os seus diretores acharam por bem candidatar uma aldeia de cada concelho às Aldeias de Portugal”, revela.
“É obrigatório ter uma oferta turística, no âmbito do turismo rural, casas de campo, alojamentos locais, é obrigatório também ter pontos de venda, produtos tradicionais, é necessário ter património. Tudo isto encaixa perfeitamente na aldeia de Chacim, por isso esta é uma Aldeia de Portugal.
“Não vai ter benefícios monetários/financeiros, mas vai poder estar no site das Aldeias de Portugal, vai poder fazer parte das brochuras e dos roteiros das Aldeias de Portugal e vai ter uma sinalética específica. Como benefícios indiretos poderá ter aumento do rendimento das pessoas e a que o património não se perca. Isto é fazer com que as pessoas venham às suas origens, é também isso que se pretende”, explica, Duarte Moreno.
Declarações à margem de um workshop intitulado, “Políticas públicas e desafios futuros”, onde se debateram ideias sobre como projetar o turismo de aldeia.
Escrito por Onda Livre


