“Os Gorazes” de Moraes Machado

“Os Gorazes” é o nome da mais recente obra literária de António Moraes Machado.

O presidente da câmara Municipal de Mogadouro dedicou-se à ao estudo da história e da evolução da Feira de Atividades Económicas do Nordeste Transmontano e registou em papel.

Com recurso a algumas vivências e recordações dos tempos de juventude, Moraes Machado elaborou um livro que remonta à origem da Feira dos Gorazes e que retrata a sua evolução até aos dias de hoje.

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“Lembro-me do local exacto onde se punham as tendas, porque as tendas eram postas conforme as especialidades e sempre no mesmo local.

Muitos vinham 15 dias antes dos Gorazes e iam 15 dias depois da feira , e os filhos brincavam com a garotada da terra”, conta.

Moraes Machado quer com a obra literária “Os Gorazes” manter vivas as tradições e os costumes que outrora marcaram a vida em Mogadouro.

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“Eu acho que essas coisas são interessantes e são de preservar e também o que se passava nos “subterrâneos” da Feira dos Gorazes como o jogo do xincalhão, a vermelhinha, a fuga a guarda ,tudo isto fazia parte da feira.

Como era vivida antigamente, e qual a sua identidade de hoje.

O autor explica a evolução do certame e é com regozijo que Moraes Machado frisa a riqueza da região no capítulo dos cereais, do azeite e da cortiça.

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“Esta era a Feira dos Gorazes de uma vila fechada com uma identidade muito forte, os meios de comunicação eram muito escassos.

As gentes de Mogadouro eram as maiores de toda a parte, perdoe a vaidade, porque esta zona do planalto era uma zona rica em azeite, amêndoa, cortiça, a agricultura era valorizada.

Na década de 40/50 nós éramos os terceiros maiores produtores de trigo a nível nacional contando com o Alentejo, éramos relativamente ricos”, assegura.

No livro colocou sete hipóteses sobre a origem do nome da Feira dos Gorazes.

Moraes Machado lança algumas das hipóteses, mas relativiza a sua consensualidade.

 

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 “Nunca foi consensual, eu ponho lá no livrinho sete hipóteses uma delas diz assim: Gorazes vem de Goraz, o peixe. Aqui nunca ouve peixe nem fresco nem assado era uma hipótese muito arrozada,  outra é Gorazes que vem de voraz , e outra segundo o Dr. Mourinho vinha da palavra goiraz que se transformaria em Goiraz e que significa porco”, explica.

Hoje a Feira dos Gorazes industrializou-se, com a exposição de máquinas agrícolas, como alfaias e tratores.

A obra vai ser apresentada este sábado, no segundo dia do certame, que vai até dia 16 de outubro.