Modelo “Escola da Ponte” pensado para o Nordeste Transmontano

A  Associação Crescer, Aprender e Ensinar recém-criada na aldeia de Atenor, no concelho de Miranda do Douro, quer adoptar um modelo de ensino semelhante ao da Escola da Ponte no planalto mirandês. Para isso, organizou ontem um encontro com o professor José Pacheco, impulsionador deste modelo nos anos 70.

Um método de ensino diferente do tradicional.

A Escola da Ponte é uma instituição pública de ensino para alunos desde o pré-escolar, até ao 3º ciclo,localizada em São Tomé de Negrelos no concelho de Santo Tirso, distrito do Porto. Afasta-se do  modelo de ensino tradicional, fazendo parte do chamado “Movimento da Escola Moderna”, alicerçado nas ideias pedagógicas do francês Célestin Freinet.

Um modelo  adoptado nesta escola  em 1977 pelo professor José Pacheco. Nesta escola não há paredes internas. Os alunos não são divididos por turmas mas agrupados de acordo com a área de interesse a ser pesquisada, independente da idade. Está assente em valores como a solidariedade, a autonomia e a responsabilidade.

Aqui a palavra-chave da relação escola com os encarregados de educação é “participação”. Por isso, os pais são vistos como “parceiros e corresponsáveis pelo projeto educativo do aluno” .

O método de ensino da Escola da Ponte tardou em ser aprovado e reconhecido pelo Ministério da Educação . Actualmente a escola é considerada uma referência para um novo sistema de ensino que privilegie a Cidadania, sendo um modelo estudado, admirado e adoptado um pouco por todo o Mundo, com especial destaque no Brasil.

Dezenas de pais, professores e educadores estiveram ontem à conversa com o professor José Pacheco.

Elisa Fonseca da Associação Crescer, Aprender e Ensinar, acredita que o modelo da Escola da Ponte pode ajudar a melhorar o método de ensino no planalto mirandês.“Consideramos que poderá ser enriquecedor para nós enquanto movimento, para quem está nas escolas e para os pais”, sublinha.

Actualmente é no Brasil que José Pacheco contribui para alterar o modelo tradicional de ensino. O professor acredita que as ideias da Escola da Ponte podem ser também  implementadas no nordeste transmontano.

“Eu agora estou no Brasil onde a este projecto tem um impacto bem maior do que em Portugal. Aqui em Atenor estou com pessoas que foram meus alunos e colegas na Escola Superior de Educação. Parece que vai acontecer aqui alguma coisa em Atenor…”, acredita.

E acrescenta ainda “Acompanho mais de mil projectos inspirados na ‘Ponte’ em todo o mundo“. “Da Escola da Ponte às Comunidades de Aprendizagem” foi a segunda iniciativa da Associação Crescer, Aprender e Ensinar criada em Maio por um grupo de pais e educadores do planalto mirandês.

 Escrito por Brigantia (CIR)