A Unidade Local de Saúde de Nordeste quer abrir 5 vagas por ano para médicos de família, de forma a garantir o rejuvenescimento do corpo médico no prazo de 10 anos. Atualmente a ULS Nordeste tem 88 médicos ao serviço em todo o distrito, 80 dos quais estão prestes a atingir a idade de reforma.
A diretora clínica dos cuidados de saúde primários da ULS Nordeste, Sílvia Costa, salienta que actualmente não há falta de médicos no distrito mas se a situação não for revertida, isso pode acontecer no prazo de 5 anos.
“Neste momento não há falta, porque cumprimos os 1600 utentes por médico, que é o exigido pelo nosso ministério e é o que a organização mundial de saúde mais ou menos recomenda.
A questão vai-se por daqui a 5 ou 10 anos em que começa a haver as reformas e ai sim, começará a haver problemas. Mas para isso já estamos com uma política de recursos humanos a tentar abrir vagas, ainda este ano houve entrada de 2 médicos de família para colmatar as deficiências dos que se vão reformar e dos que vão adoecendo e portanto têm de ser substituídos.”
A idade média dos médicos da ULS Nordeste situa-se nos 55 a 60 anos. Atualmente 30 jovens médicos estão em regime de internato nesta instituição,
Prevendo-se que alguns possam vir a exercer a profissão nesta Unidade.
É o caso de Raquel Meireles tem 33 anos, é de Arcos de Valdevez e está no último ano do internato. Gostava de ficar a trabalhar em Bragança mas admite que é necessário criar mais medidas de incentivo para fixar os jovens médicos ao interior do país.
“Se calhar pedir a um jovem medico que viveu toda a sua vida no litoral para, de repente, mudar a sua vida toda para vir para o interior, se calhar não é assim tão fácil como isso porque implicaria trazer alguns da família também, filhos e deslocar tudo para o interior. Provavelmente, tendo um incentivo financeiro essa decisão seria mais fácil. Mas acho que, sobretudo os médicos de família estão mais mentalizados e procuram estar sempre mais próximos das populações, portanto, acho que esse incentivo para os que se queiram fixar no interior. Acho que é uma especialidade que requer que as pessoas estejam no interior.”
Já Ana Catarina Pires é natural de Bragança. Está no segundo ano do internato em medicina geral e familiar. A jovem de 26 anos garante que vale a pena trabalhar no distrito, pela qualidade de vida que a região oferece.
“Não é fácil ser do litoral, principalmente dos grandes centros, e vir parar a uma cidade pequena do interior. Mas a verdade é que nós temos muita mais qualidade de vida aqui, muitas mais oportunidades, mesmo em termos de realização da especialidade e do internato, oportunidades de trabalho, de prática e, na minha opinião, os incentivos são necessários porque não é fácil mudar toda uma vida.
Mas acho que a maioria das pessoas que se mudam para Bragança e que vêm para cá trabalhar estão contentes, gostam e querem ficar. “
Para assinalar o Dia Mundial do Médico de Família, que se comemorou ontem, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar promoveu acções de divulgação do papel do médico de família em cerca de 60 vilas e cidades por todo o país, incluindo Bragança e Mirandela.
Informação CIR (Rádio Brigantia)


