Há 8 anos que organizam concertos em Bragança. Fomos conhecer melhor este projeto, pela mão de Nuno Fernandes.
Rádio Onda Livre (ROL) – A Dedos Biónicos diz ter como missão dar destaque a outras culturas “emergentes, vanguardistas e alternativas”, e “pôr de parte” o pop e o mainstream. Têm algo contra o pop e o mainstream?
Nuno Fernandes (NF) – Não temos nada contra o pop e o mainstream, nem tão pouco a queremos pôr de parte. O que pretendemos é colmatar uma grave lacuna em Trás-os-Montes que é a falta de eventos culturais que possam ir mais de encontro às tendências “emergentes, vanguardistas e alternativas”. Pretendemos chegar a esse publico de melómanos que embora sejam uma minoria estão lá e merecem 😉
ROL – Agora mais a sério, o vosso projeto tem trazido a Bragança nomes bem conhecidos, como Norberto Lobo ou o B-Fachada, que atuou dia 12, e outros menos conhecidos mas igualmente bons. Os fãs, quase por certo, nunca esperaram vê-los em Bragança, e muitos outros nem sequer os conheciam. Como é que tem sido a aceitação?
NF – Como privilegiamos os artistas emergentes existe uma tendência natural. Já trouxemos muitos artistas conceituados e outros que caminham para o reconhecimento. Por exemplo o Noiserv tocou em 2008 em Bragança numa altura que era praticamente desconhecido, hoje esgota os coliseus.
A aceitação por parte do público diverge bastante porque embora não nos limitemos a um estilo ou género de música específico, temos um critério muito assumido e algo confuso.
Depois de quase 8 anos a organizar concertos orgulhosamente podemos dizer que a aceitação é muito positiva.
ROL – É difícil fazer algo pela cultura no interior do país? Mesmo, por exemplo, no que toca a financiar estes projetos e a divulgá-los?
NF – É muito difícil, não só no interior mas por todo o país. Um apoio financeiro é quase impossível de se atingir. Contido acreditamos que com persistência e trabalho árduo tudo é possível.
ROL – Há outras ideias também muito interessantes a nascer em Trás-os-Montes, neste âmbito cultural e non-mainstream. São bons indicadores para a região?
NF – Sim, há casos muito interessantes a nascer em Trás-os-Montes nos últimos anos. Vila Real tem crescido imenso no âmbito cultural non-mainstream. São bons exemplos o Club de Vila Real ou a Covilhete na Mão mas também o próprio Teatro Municipal.
O crescimento cultural está diretamente relacionado com a mentalidade da população e se existe crescimento existe evolução. Crescimento e evolução são sempre bons indicadores para a região.
ROL – Quem é que gostariam de trazer para um concerto?
NF – São centenas as bandas que gostaríamos de trazer, e mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer.
ROL – Como esperam que a Dedos Biónicos esteja daqui a 5 anos?
NF – A Dedos Bionicos daqui a 5 anos será igual a si própria. Vamos continuar a organizar pequenos grandes concertos para uma imensa minoria. Vamos continuar a descobrir esses artistas que um dia terão reconhecimento e tocarão para massas mas que a Dedos Bionicos dá oportunidade de os ver num ambiente descontraído e intimo.


