A manutenção e a necessidade do helicóptero do INEM, estacionado em Macedo de Cavaleiros, foi um dos temas em destaque no debate sobre a saúde no distrito de Bragança, que sábado aconteceu em Macedo de Cavaleiros, organizado pelo PS.
Já em pré-campanha, Manuel Pizarro, secretário de estado da saúde do anterior governo, deixou a promessa de que, se o PS voltar ao poder, o helicóptero vai permanecer no distrito.
“É hoje absolutamente claro que população do distrito de Bragança necessita do helicóptero de emergência médica e é evidente que ele deve estar o mais próximo possível das pessoas que o vão utilizar. Todos os números apontam para que este helicóptero tenha uma enorme utilização e os resultados em saúde dessa utilização são inestimáveis do ponto de vista das vidas que foram salvas e da autonomia de vida que foi mantida graças ao pronto-socorro que o helicóptero permitiu. Eu quero firmar aqui, publicamente, em nome do partido socialista um compromisso claro de que connosco vai continuar a haver helicóptero de emergência médica no distrito de Bragança a que junto um desafio aos dirigentes do PSD para que se pronunciem sobre este assunto deixando de se lembrarem do distrito de Bragança apenas na véspera das eleições.”
O ex-secretário de estado disse ainda que o atual governo tem mantido uma atitude hipócrita em relação a este assunto.
A retirada do helicóptero é o assunto mais dramático, porque se é verdade que o tribunal deu razão às câmaras municipais e pediu a retirada do mesmo não é menos verdade que o governo do PSD tem sobre este assunto uma posição de enorme hipocrisia. Ao mesmo tempo que o senhor ministro deu sinais públicos de que iria desistir desta senha insensata de retirar o helicóptero do distrito de Bragança, a verdade é que INEM recorreu da decisão dos tribunais. Portanto, isto só pode significar uma de duas coisas: ou há hipocrisia por parte do governo que diz em público uma coisa e depois e nos tribunais faz o contrário, ou então o governo já não existe e cada instituição pública faz o que quer, e o INEM anda “à rédea solta”.
Também Mota Andrade esteve presente no debate. O vice-presidente da bancada parlamentar do PS considera que nos últimos quatro anos houve um claro desinvestimento na área da saúde, com valências a encerrar e obras por concluir.
“Valências que iam desde a fisioterapia, à terapia da fala, ao psicólogo e dentista que existiam em todos os centros de saúde e que ao longo destes 4 anos foram desaparecendo e sendo extintos, perdendo-se, não só postos de trabalho, mas, fundamentalmente, qualidade na assistência que é dada às populações e a nível das unidades hospitalares, pois não houve mais nenhum investimento em termos daquilo que estava previsto, com todas as consequências negativas e nefastas que isso tem para os cuidados de saúde das pessoas que aqui vivem, nomeadamente no hospital distrital de Bragança. Para esta unidade hospitalar estava previsto um melhoramento dos blocos operatórios, coisa que é urgentíssima realizar, nada foi feito. Estava prevista a restauração de todo o edifício principal do hospital coisa que também não aconteceu.”
Mota Andrade considera ainda que a extinção da Unidade de Convalescença de Macedo de Cavaleiros trouxe perdas para a região, a nível social e económico, e defendeu a necessidade de reestruturar a Unidade Local de Saúde.
“É importante haver também uma reestruturação de toda a unidade local de saúde de forma a dar melhor qualidade de utilização aos utentes mas também aos próprios médicos. Lembro que tudo deveria estar a funcionar em rede e isso ainda hoje não acontece e, portanto, eu espero que, a curto prazo, tudo isso seja uma realidade e hajam mudanças significativas no funcionamento da unidade local de saúde com maior financiamento, por utente, no distrito de Bragança. Porque é evidente que não se compreende que um utente do distrito de Bragança não tenha o nível de financiamento para a saúde que outros portugueses têm.”
Neste debate foram ainda apresentados números sobre a utilização do helicóptero do INEM. Além de ser aquele que responde a mais episódios de urgência, transporta, em maioria, doentes para fora do distrito, para outros hospitais de referência. Já dentro do distrito permite encurtar deslocações, de forma significativa, para o hospital de referência, o de Bragança. Por exemplo, a viagem entre Freixo de Espada à Cinta, um dos concelhos mais distantes, e Bragança é de mais de uma hora e meia. De helicóptero, os cerca de 133 quilómetros ficam reduzidos a 25 minutos, período dentro da chamada “golden hour” (hora de ouro) na assistência ao doente, que, em muitos casos, marca a diferença.
Escrito por ONDA LIVRE



Pena que só agora se lembrem de botar faladura, não recordo mas pelos vistos deve haver eleições em breve