Os enfermeiros fazem greve amanhã. Juntam-se em algumas reivindicações aos funcionários públicos – pedem a reposição do pagamento das horas extra e em período noturno, que já aconteceu noutros setores, e as 35 horas também para os profissionais contratados.
Há outras razões para este dia de paralisação, explicados por Elisabete Barreira, coordenadora do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses no distrito de Bragança.
“Veio uma proposta de lei sobre os atos profissionais de enfermagem. Nós consideramos que são muitos graves, porque haveria uma perde de autonomia dos enfermeiros, que já foi revista também pelo Ministério de Saúde. No entanto, consideramos que ainda tem que ser melhorada.
Para além disso também há outras matérias económicas que temos vindo a reivindicar, nomeadamente por a profissão ser de perigosidade e de risco. Os cuidados de saúde primário também foram sendo esquecidos nos últimos quatro anos, que é necessário limar. O mais grave é a dotação de enfermeiros nos serviços. Nota-se uma clara falta de enfermeiros. O Governo, aparentemente, não está a fazer nada para que os serviços sejam dotados dos enfermeiros necessários em número suficiente para prestar nas melhores condições os serviços.”
Elisabete Barreira diz que a falta de enfermeiros é bem visível na região, principalmente depois da entrada em vigor das 35 horas de trabalho.
“Na enfermagem sente-se bastante, e nota-se nos serviços de uma forma extremamente clara.
As 35 horas, mas ninguém as consegue cumprir, porque não há enfermeiros suficientes nos serviços. Para além disso, tem havido em alguns serviços a redução de enfermeiros. Ou seja, no turno da manhã, como o trabalho é mais pesado, vai-se buscar um enfermeiro ao turno da tarde, e, obviamente, o turno seguinte fica desfalcado.”
Para amanhã, Elisabete Barreira espera que a adesão à greve no distrito seja elevada.
“Hoje a greve é dos funcionários públicos, não sabemos, obviamente os números. O sentimento na enfermagem, é que se poderia fazer greve uma semana, um mês, um ano, porque a nossa classe está a ser esquecida e castigada pelas sucessivas leis.
Um dia de greve é um dia a menos no salário, e sabemos que para muitos é quase incomportável. No entanto, pelas passagens que fizemos pelos serviços, e por ser só um dia, achamos que vamos ter uma boa adesão, porque os nossos colegas entendem e assinam por baixo nas razões desta greve.”
Os enfermeiros fazem greve amanhã. Greve esta convocada a nível nacional. Hoje também os trabalhadores da saúde estão parados. No Hospital de Chaves, a paralisação estará entre os 90 a 100%. Em Bragança, o Sindicado dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais avança 70% de adesão nos turnos da noite e da manhã.
Escrito por ONDA LIVRE

