Tereza Carvalho pensa em novo trabalho e com temas originais

Ouça a entrevista aqui:

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Numa passagem pela Rádio Onda Livre estivemos à conversa com Teresa Carvalho, cantora transmontana, que hoje em dia divide a vida entre Portugal e França.

É caso para dizer, Lisboa não sejas Francesa?

Tereza: Sempre. Só mesmo na música.

Como surgiu o gosto pelo fado?

Tereza: Desde muito nova o fado invadiu a minha vida como se fosse parte de mim, mesmo antes de eu nascer.

Era eu pequena e ouvia as minhas avós e as minhas tias a cantarem aquelas músicas antigas que eram baseadas em histórias reais, como a ida de um vizinho para a guerra ou que tivesse ficado sem os filhos, ou seja, histórias verídicas e sempre muito tristes.

Foi um álbum que tu fizeste para promover o teu espetáculo e o fado?

Tereza: Sim, promover o fado, o que é nosso lá fora e, assim, conseguir instalar-me e promover-me num país estrangeiro que é a França, mais propriamente na cidade de Paris, onde a concorrência é um pouco desleal.

Mas com este projeto, e como eu já tinha dito à Rádio Onda Livre, fiz um espetáculo, no dia 21 de janeiro desse ano, onde o objetivo foi promover o CD, o meu trabalho e dar-me a conhecer num país e numa cidade que tem concorrência desleal, coisa que em Portugal também acontece.

Mas Deus é grande e eu tenho a certeza que vou chegar lá.

Conseguiste aquilo que pretendias com esse espetáculo?

Tereza: Sim, consegui. Era e é promocional, em dois meses mandei fazer 500 cds para serem oferecidos que acabaram por ter de ser vendidos, pois muita gente procurava por eles, daí a acabar por ter de os vender também.

Agora que passas mais tempo em França, as comunidades portuguesas procuram muito as noites de fado?

Tereza: Sim, procuram. Agora tenha atuado mais em restaurantes porque me estou a dar a conhecer.

Tenho que começar a criar o meu público, os fãs que vão comigo e atrás de mim para onde eu for.

Este CD contém temas bem conhecidos do panorama nacional e internacional, imortalizados por Amália Rodrigues. O próximo passo será já este ano, se Deus quiser, e será um álbum de 11 ou 12 temas, a conter já temas originais.

Sempre no estilo musical fado?

Tereza: Sim, sempre. E, por vezes, para dar um pezinho de dança, um tema popular também sabe bem.

És uma cantora versátil?

Tereza: Graças a Deus sim. A música nasceu comigo.

Para quando está previsto o lançamento desse álbum de originais?

Tereza: Ainda não há data prevista. Eu fui mãe recentemente e dedico-me 99,9% à minha filha para dar-lhe educação, princípios, valores e acompanhá-la pelo menos até onde eu puder.

No dia 24 de setembro vou começar os meus espetáculos na Suíça mas ainda não há nenhuma data em mente. A prioridade agora é a minha filha, também fazer os espetáculos que já tenho marcados até dezembro e ir planeando esse CD, pouco a pouco porque quero que seja como uma “raiz” minha.

Um trabalho que será cuidado como se fosse um filho.

Como é que o público reage ao fado no estrangeiro? Um expressar diferente de outros géneros musicais?

Tereza: Eu penso que quem vai assistir aos espetáculos, seja de que estilo forem, se gostarem vão acompanhar. Mas, tendo em conta o meu estilo musical que é o fado, as pessoas reagem muito bem.

Ao início pensam, “é mais uma”, mas depois, com o decorrer do espetáculo, perguntam sempre quando volto ou onde estarei na semana a seguir.

Graças a Deus, em Paris e na Suíça tenho sempre espetáculos às sextas e sábados, que por vezes também acontecem aos domingos. Mas a maior parte deles são nesses dois dias da semana, em restaurantes e associações, sei que vou conseguir.

De desistências não reza a história.

Com quem te identificaste desde sempre no fado?

Tereza: Com a Amália Rodrigues, sempre. O primeiro fado que eu ouvi chamava-se “Carmencita” e foi em discos de vinil que o meu pai tinha guardado num baú.

Já ninguém ouvia esses discos mas eu achei piada, fui a esse baú e pensei em experimentar ouvir. E, a partir daí que esse fado ficou sempre na minha memória e no meu repertório.

E era precisamente esse o fado que eu te mandava cantar sempre que nos encontrávamos em palco, lembras-te?

Tereza: É verdade. E mais uma vez quero agradecer pelo convite que vocês, Rádio Onda Livre, me fizeram para estar na vossa festa do dia 15 de agosto. Infelizmente já tinha um espetáculo marcado para essa data e não pude estar presente. Mas sempre que eu puder espero aceitar o convite.

Podemos então ouvir um pouco desse “Carmencita”?

Tereza: Claro que sim.

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Votos de felicidade, um bom outono e inverno e marcamos encontro um dia destes com alegria e sempre essa boa disposição e, claro, muito fado.

Tereza: Obrigada, um beijinho, e em especial à Rádio Onda Livre e a todos os ouvintes.

Sejam felizes, amem-se muito e respeitem-se. Um bem-haja à nossa amizade de tantos anos.

Escrito por ONDA LIVRE