Mais apoio para quem foi afetados pelos incêndios mas nada para a quebra de produção agrícola

Estão a ser instalados parques para comprar e armazenar a madeira queimada resultante dos incêndios florestais.

Uma garantia deixada por Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, sexta-feira em Macedo de Cavaleiros quando questionado sobre as medidas de apoio destinadas ao agricultores flagelados com os incêndios do ano passado.

“Uma vez que como sabemos, o pinho, sobretudo o pinho, que tem um diâmetro maior, superior a 20 centímetros, que é muito importante para a indústria da serração, se não for recolhido e não for mantido molhado ao fim de poucos meses se deteriora e para evitar essa deteorização, o Governo vai atribuir aos produtores florestais 4€ por tonelada da matéria prima da madeira que entregarem nos parques e vamos entregar às organizações dos produtores florestais e aos Municípios que vão gerir esses parques de madeira mais 3€ por tonelada desde que a madeira seja adquirida a 25€. Isso permitirá que os produtores florestais recebam o preço mínimo de 29€ e ao mesmo tempo garantir que durante os próximos dois/três anos a indústria da serração tem matéria prima para trabalhar.”  

Uma medida que vai de encontro ao excesso de oferta de madeira que a indústria não consegue absorver sendo assim exigido que o produto fique parqueado cerca de 9 meses de forma a não perder características.

“Naturalmente é necessário que essa madeira permaneça armazenada e por isso é que os apoios aos parques exigem que a madeira esteja pelo menos parqueada durante um período mínimo de 9 meses. 
A lista de medidas é enorme porque a tragédia foi efetivamente muito grande. Há que evitar e tudo fazer e é isso que estamos a procurar fazer para que no futuro, tragédias como esta não atinjam a dimensão trágica do ponto de vista humano e económico.”

Questionado pelos jornalistas sobre a questão da seca que afetou a produção levando à quebra em alguns setores como o da castanha, o Ministro disse que o Estado não vai dar apoios a esses produtores.

“Os apoios foram dados a quem perdeu potencial positivo das suas explorações por força dos incêndios. Não são dados apoios a quebras de produção porque este foi um ano agrícola em que, infelizmente, na maior parte dos setores (do vinho, do azeite, nas horticulturas, na fruticultura) houve excesso de produção e o Governo também não foi pedir aos agricultores que tiveram excedentes de produção que entregassem ao Governo o rendimento que tiveram a mais. Por isso o Governo também não está em condições de proceder a pagamentos àqueles agricultores que tiveram rendimentos a menos porque rendimentos a mais e rendimentos a menos é aquilo que resulta de qualquer atividade económica.”    

 

Luís Capoulas Santos que avançou ainda que já foi atribuído apoio monetário a 22 mil dos agricultores lesados com os incêndios de 2017 em Portugal, perfazendo mais de metade do valor total destinado a todos os prejudicados.

Escrito por ONDA LIVRE