A barragem do Azibo, no concelho de Macedo de Cavaleiros, tem um perímetro de rega de 3000 hectares mas apenas 500 são usados na agricultura. Uma situação que espelha a incapacidade dos Governos em utilizar os recursos disponíveis. Quem o diz é Miguel Viegas, Eurodeputado do PCP:
“Há aqui uma situação que tem de ser alterada e que revela uma incapacidade dos sucessivos Governos em pôr em prática políticas de desenvolvimento que possam aproveitar a capacidade instalada e vencer esta batalha do défice agro-alimentar que é uma chaga para o país e para a sua economia, tendo em conta o desequilíbrio em que nós vivemos.
Nesse sentido, nós estamos aqui para perceber o que está a faltar, visto que temos potencialidades e produtos endógenos que são de reconhecida qualidade, e depois as coisas não avançam.
Por isso, temos de reivindicar um política agrícola que incentive mais a produção.”
O eurodeputado refere que é importante a implementação de medidas de apoio que ajudem na produção de géneros alimentícios, uma vez que, os agricultores têm à sua disponibilidade recursos hídricos que não estão a ser utilizados:
“Temos como exemplo a questão da maça que é um produto de excelência com reconhecida qualidade e tradição. Assim sendo, temos de tentar perceber porque é que não é produzida, e a resposta é que não há circuitos de comercialização nem uma industria que permita o tratamento dessa produção, calibração, embalagem e introdução no comércio.
Então, temos de encontrar formas de criar sistemas que apoiem a constituição desses movimentos e de cooperativas que permitam associar proprietários para que aqueles 3000 hectares possam ser utilizados para produção da maça. Mas este é só um exemplo, porque quem fala da maça fala também de outras culturas que têm enormes potencialidades nesta região e têm todas as condições para ser cultivadas. “
Miguel Viegas deixa algumas estratégias que considera fulcrais para a valorização e desenvolvimento do território:
“Aqui no Azibo há essas potencialidades mas, repito, isto não se faz por decreto, é preciso perceber porque é que as coisas não acontecem.
Temos de ver no terreno o que é necessário fazer, se se deve avançar para áreas de emparcelamento, permitindo a criação de áreas de maior viabilidade económica.
É preciso perceber também o que é preciso fazer ao nível do circuito da comercialização, a própria câmara pode promovê-los através dos mercados locais e circuitos curtos de comercialização.
Declarações do eurodeputado na sua passagem por Trás-os-Montes, onde reuniu em Macedo de Cavaleiros com a Associação de Beneficiários.
Escrito por ONDA LIVRE


