Podence recebeu a 2ª sessão das Jornadas Culturais “Porque se fazem as festas?”

A Casa do Careto, em Podence, Macedo de Cavaleiros, recebeu este sábado a 2ª sessão das Jornadas Culturais “Porque se fazem as festas?”, sob o tema “Festividades do Entrudo”.

Organizadas pela Progestur, Fundação INATEL e Universidade Lusófona de Lisboa, Heldér Ferreira, presidente da Progestur, explica o principal objetivo destas jornadas:

“Aquilo que a gente pretende com estas jornadas é debater este potencial da cultural imaterial, e como é que ela pode ser uma mais-valia para o desenvolvimento regional. 

É importante também perceber qual é a importância que estas tradições/festas têm hoje em dia nas comunidades. Se são festas vividas, e de que forma, se são apenas aspetos lúdicos. Queremos confrontar o investigador/académico, com quem faz a festa. Queremos também, sobretudo, é que haja uma consciencialização por parte das comunidades deste potencial, e compreender de que forma é vista a massificação das festas, como é que o facto de Podence ser candidato a Património da Humanidade é sentido pelas pessoas. E ainda, chamar as pessoas do turismo, da autarquia, para perguntar o que estão a pensar fazer com esta marca, de que forma vão potenciar esta riqueza cultural que são os caretos de Podence.”

 

Numa altura em que Podence é cada vez mais uma marca nacional das festividades do entrudo, a massificação da aldeia que, durante o ano, tem apenas cerca de 200 pessoas, foi um dos temas discutidos, refere Francisco Madelino, presidente da INATEL:

“Tudo se resume ao fenómeno de globalização. Os territórios têm culturas próprias, e quando são fortes resistem e acabam por se manter. Podem sofrer alguns impactos, como é o caso dos caretos de Podence, que eram uma vivência cultural muito vivida, mas com a Guerra Colonial tiveram um relativo retrocesso. Regressam depois porque está metida na raiz das pessoas que cá estão, e está pojante. 

Esta terra tem cerca de 200 pessoas e é uma marca nacional, há muita gente que vem para cá para ver, o que leva a que agora já se discuta se não será muita gente, se não será massificação e comercialização. Eu penso que são crises de crescimento, crises boas. Eu diria que os caretos de Podence são a marca mais conhecida da máscara Nacional.” 

 

Estas jornadas culturais contam com quatro sessões. A primeira aconteceu em Miranda do Douro sobre festas de solstício, a segunda passou por Podence onde se falou sobre as festas do Entrudo, e as próximas estão marcadas para Proença-a-Nova com o tema “festas religiosas”, e para Viana do Castelo, na qual as “grandes romarias” estarão em destaque.

 

Escrito por ONDA LIVRE