Em 2018, houve mais azeitona mas menos azeite na região

Produziu-se menos azeite, em relação ao ano passado, na região, apesar da produção de azeitona ter sido maior. A informação é deixada pelo presidente da APPITAD, a Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro. Segundo Francisco Pavão, este foi um ano pautado pela instabilidade de preços.

“A campanha terminou há bem pouco tempo e este foi um ano extremamente complicado do ponto de vista produtivo, apesar de termos tido mais produção de azeitona. No entanto, esse aumento não se refletiu na produção de azeite e os rendimentos andaram à volta dos três/quatro por cento abaixo do que num ano normal.

Para uma mesma quantidade de azeitona, extraímos menos azeite.

Foi um ano com alguma instabilidade de preços, que estiveram mais baixos, o que para a região é preocupante. Temos custos muito elevados de produção para baixas produtividades por hectare. Portanto, enfrentamos um ano difícil.”

Francisco Pavão acrescenta que a maior produção de azeitona não resultou em mais azeite por causa das alterações climáticas e sublinha que é preciso apostar mais no regadio.

“Houve um aumento na produção de azeitona relativamente ao ano anterior, que andou à volta dos 10% a 15%. Ainda não temos os dados finais mas sabemos o fator seca não foi tão acentuado como em 2017 e estamos conscientes que as alterações climáticas têm cada vez mais influência nas produções agrícolas. Como tal, neste momento estamos a participar num projeto de investigação para mitigação das alterações climáticas em olival de sequeiro e a aposta no regadio é fundamental para conseguirmos atenuar estes efeitos.

Portanto, temos consciência que a região é de excelência e a produção de azeites de qualidade mantém-se.”

O presidente da associação explica ainda que, apesar das dificuldades da campanha, o azeite é de grande qualidade e o caminho passa pelo embalamento e comercialização.

“Se olharmos para a venda a granel, existe uma pequena diferenciação que não é acentuada. Onde encontramos diferenças é no embalamento do produto, sobretudo em garrafa, pois vamos para o mercado e ai sim, conseguimos diferenciá-lo. O desafio passa por embalar e fazer promoção desse tipo de azeite.

Temos a garantia que, do ponto de vista da qualidade, os azeites são de excelência, portanto, todos estes constrangimentos relacionados com a quantidade, rendimentos e preço, não se refletiram na qualidade do azeite.”

As alterações climatéricas têm surtido algum efeito negativo na campanha da azeitona que se reflectiu, este ano, na quantidade de azeite extraído. Apesar disso mantêm-se a qualidade.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)