“Trás-os-Montes tem de criar uma marca única” (Secretário-geral do Eixo Atlântico)

Trás-os-Montes e Alto Douro precisa de falar a uma só voz e criar uma marca única para que, de uma vez por todas possa vir a afirmar-se no contexto europeu e ter o desenvolvimento que todos anseiam há décadas. A ideia foi defendida, ontem, em Mirandela, pelo secretário-geral do Eixo Atlântico durante a apresentação dos relatórios estratégicos para Bragança, Macedo e Mirandela que apontam para a implementação de mais de 4 dezenas de medidas, a maioria das quais podem ser candidatadas ao próximo quadro comunitário de apoio 20/30.

Os documentos apresentados são a agenda estratégica dos territórios da fronteira interior/ transmontana 2030, o relatório da mobilidade interna do território da CIM-TTM e o relatório da situação e potencialidades turísticas da CIM-TTM, com foco para Mirandela, Macedo de Cavaleiros e
Bragança. Dossiers que o secretário-geral do Eixo Atlântico resumiu, mas sempre batendo na tecla de que é preciso Trás-os-Montes falar a uma só voz e criar uma marca:

“Todo o nordeste transmontano tem 200 mil habitantes e o Porto tem 300 mil. Temos que pensar nessa escala. Se o Porto tem uma voz única no país como é que um território de 200 mil habitantes não tem uma voz única? Com essa prioridade é que se consegue por em prática todas estas medidas que aconselhamos e que são quase um plano estratégico para o próximo quadro comunitário de apoio.”

 

Ora com essa prioridade, estes relatórios, que no fundo não é mais do que um plano estratégico para o próximo quadro comunitário de apoio, sugerem a implementação de cerca de 4 dezenas de medidas. A bola está agora do lado dos autarcas. Júlia Rodrigues, presidente do Município de Mirandela, acredita que será possível trabalhar em rede numa lógica de complementaridade:

“São agendas estratégicas que depois têm que ser complementadas e têm que ser implementadas de âmbito supra concelhio, ou seja, a região como um todo, um território vivo, coeso, interactivo, atractivo para novas empresas. Só é possível trabalhando com atores locais, com empresas e em rede. É uma lição que todos sabemos. Temos que dar este salto de saber trabalhar em conjunto, abdicando de uma ou outra situação para que todos possamos ganhar.”

 

O secretário-geral do Eixo Atlântico deixou um alerta para que os concelhos não reivindiquem todos o mesmo, dando como mau exemplo o caso da ligação a Espanha pela Puebla de Sanabria e a mais recente
reivindicação que seria até La Gudiña. Sobre esta questão, Hernâni Dias, presidente da câmara de Bragança, reitera que não se pode querer o que já foi reivindicado pelos outros municípios:

 

“Não podemos estar permanentemente a querer aquilo que o outro já reivindicou, se assim o fizermos, provavelmente ninguém nos levará a sério porque significa que todos queremos tudo e não é possível todos termos tudo. Os territórios não têm que estar todos capacitados para a mesma coisa e terem todos o mesmo.” 

 

Relatórios entregues pelo Eixo Atlântico, agora cabe aos três autarcas começarem a trabalhar em conjunto.

 

Foto: Rádio Terra Quente 

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente FM)