O país começa a desconfinar aos poucos e esta segunda-feira há já quem possa regressar ao trabalho, depois de quase dois meses sem atividade.
Fomos saber como estão a reagir alguns comerciantes macedenses.
Entre os negócios que viram luz verde do Governo para voltar hoje ao trabalho estão os cabeleireiros, manicures e similares.
Cátia Dias é proprietária de um salão em Macedo de Cavaleiros. Defende que o setor não deveria ter encerrado mas encara o regresso com agrado:
“Estou muito feliz por abrir segunda-feira, pois foram dois meses em que estive fechada em casa e não foi fácil com todos os encargos que temos mensalmente. As ajudas do Estado foram menos que insuficientes, uma miséria.
Acho é que foi tudo anunciado muito em cima da hora pois fomos avisados na quinta-feira que segunda podemos voltar a trabalhar e há encomendas para fazer, assim como salões para limpar.”
Também o comércio local não essencial pode voltar a trabalhar a partir de hoje, mas ao postigo.
Domingos Granjo tem um pronto-a-vestir na cidade de Macedo de Cavaleiros. É a primeira vez que adere a esta forma de venda e confessa sentir alguma incerteza:
“Como se trata de vestuário é mais difícil pois as pessoas gostam de ver e procurar.
Sendo feita a venda ao postigo não sei como nos vamos adaptar a esse sistema, tanto nós como os clientes.
No entanto, sempre é melhor vender ao postigo do que estar fechado.”
Além da loja, Domingos também é feirante e com esta atividade só vai poder voltar a trabalhar a partir de 5 de abril. Para ele é inadmissível que não possam voltar já para o terreno:
“Voltamos a ser discriminados, e embora estejamos já habituados, talvez tenhamos de começar a ter outras formas de reivindicação,
Torna-se um pouco ingrato porque as feiras são negócios ao ar livre, com muito espaço, nós temos todos os cuidados e é inadmissível que continuemos sem trabalhar enquanto o comércio, embora ao postigo, possa regressar. Sendo assim, também nós poderíamos trabalhar com os carros fechados nas feiras.”
Ao nível da restauração e similares, poderão abrir as esplanadas, embora com limite de lotação, a 5 de abril, mas a permanência de pessoas no interior dos estabelecimentos, também limitada, só vai ser possível a partir do dia 19 do mesmo mês.
Jaime Alves é proprietário de um restaurante na cidade e defende que deveriam poder começar a servir já, pelo menos, ao almoço:
“Podiam dar-nos, pelo menos, permissão para poder servir à hora de almoço, pois já estamos parados há muito tempo e não temos rendimentos para sustentar as empresas, o que se está a complicar muito.
A situação das esplanadas é sempre boa mas nem toda a gente tem os espaços ideais, até porque ainda estamos numa altura do ano em que o tempo não permite que as pessoas estejam a comer numa esplanada ao frio.”
Pelas mesmas regras de permanência se regem os cafés.
Tal é a incerteza que Pedro Mila está a pensar abrir o espaço que possui só no mês de agosto. No entanto, defende que é um serviço que, embora não seja essencial, faz falta e, por isso, deveria ser encontrada uma solução que permitisse fazer a abertura mais cedo:
“Estamos em tempo de pandemia mas acho que as pessoas têm necessidade de tomar café e apanhar algum ar.
Devíamos arranjar maneira de o poder fazer de uma forma mais segura, com uso de máscara, espaçamento e distanciamento social.”
Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Macedo de Cavaleiros, Paulo Moreira, o plano de desconfinamento deveria dar mais abertura ao setor da restauração e ao comércio local:
“Olhando para o nosso concelho, achamos que podiam começar a ficar envolvidos também os restaurantes, até porque os níveis de contágio, neste momento, não estão, de todo, relacionados com a restauração. Achamos que aguardar mais um mês é demasiado tempo para que os restaurantes possam voltar a ter a possibilidade de abrir.
Ao mesmo tempo, o comércio de rua também não faz muito sentido que, no nosso concelho, seja ao postigo. Achamos que deveria ser permitido o acesso a uma pessoa, por exemplo.
Quanto à restauração, defendemos que deveria haver uma abertura, nem que fosse, pelo menos, à hora do almoço para começar a criar uma integração na sociedade.”
O comércio a reabrir aos poucos mas a deixar dúvidas e descontentamento em alguns daqueles que veem o sustento dependente do atendimento ao público.
Escrito por ONDA LIVRE

