Enfermeiros estão de hoje até ao final do ano em greve ao trabalho extraordinário

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal convocou para hoje uma greve ao trabalho extraordinário, que vai prolongar-se até ao final do ano.

Carlos Ramalho, presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal, refere que este protesto pretende exigir a correção de desigualdades na carreira:

“Chegámos ao limite da nossa paciência.

O que nos levou a convocar a greve são os motivos que há muito tempo trazemos, que passa pela falta de diálogo com o Ministério da Saúde, lembrando que o senhor ministro ainda não recebeu os enfermeiros, e as questões da carreira, pois os enfermeiros são o pilar fundamental do SNS.
No fundo é tentar recuperar muito do que já foi perdido, pois há 30 anos os enfermeiros estavam com outras condições em termos de carreira.
Há muitas situações que é preciso negociar com o Ministério, que pura e simplesmente se recusa a fazê-lo, apesar das nossas solicitações.”

O Sindicato lembra que os enfermeiros realizam, também, muitas horas extraordinárias e para Carlos Ramalho estes profissionais contribuem para a manutenção da qualidade do Serviço Nacional de Saúde, mas “estão exaustos” e desmotivados:

“É preciso lembrar que os enfermeiros também fazem demasiadas horas extraordinárias, trabalho suplementar e isso é que tem conseguido ainda alguma qualidade no SNS.

Mas os enfermeiros também estão exaustos e precisam ser ouvidos. 
A grande questão que aqui se põe é que para o SNS estar consistente e dar resposta às necessidades das populações, é necessário que os enfermeiros também tenham o seu papel e só o podem ter se se sentirem valorizados. Cada vez mais os enfermeiros estão desmotivados para continuar pois desta forma é impossível.”

Esta é uma greve ao trabalho suplementar e prolonga-se até ao final do ano:

“Esta não é uma greve normal daquelas em que não se cumpre o horário de trabalho ou se pode cumprir parcialmente, com serviços mínimos.

É uma greve ao trabalho suplementar. Não estamos a contar números, por isso é prolongada.
Damos a possibilidade dos enfermeiros poderem optar se querem continuar a fazer trabalho suplementar, muito mal remunerado e nada reconhecido, com todos os sacrifícios que isso implica, nomeadamente pessoais e familiares, ou se querem funcionar neste sistema que não resolve nada, pois o trabalho suplementar é para complementar situações de risco e não para uma solução a médio e longo prazo.
É isso que queremos, que o Ministério nos oiça e se os enfermeiros aderirem fortemente a esta greve vamos ter, com certeza, muitos constrangimentos no SNS.
O objetivo não é fragilizar ainda mais o já frágil SNS, mas sim alertar o Governo e o Ministério da Saúde para a necessidade de novas negociações, algo que não temos há muito tempo.”

A greve arrancou às 0:00 de hoje e decorre até às 24:00 de 31 de dezembro, abrangendo o setor público em todo o país.

INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)