Escultor está a criar obra ao vivo no Parque da Cidade de Macedo de Cavaleiros

Até sexta-feira, o Parque da Cidade de Macedo de Cavaleiros recebe o escultor Miguel Neves Oliveira, que em contexto de residência artística, está a desenvolver uma escultura ao vivo.

Está a ser trabalhada no tronco de uma árvore já cortado. O artista explica um pouco do processo:

É um tronco de carvalho com cerca de três metros e vou trabalhá-lo de maneira a criar uma subtileza maior e formas belas, que irão representar a árvore e o solo, no final.

Vou trabalhar a forma, a textura da madeira e depois o acabamento com cor.

Em princípio esta obra irá ficar aqui no Parque da Cidade.

Esta residência artística, intitulada “Terra-Mãe”, está inserida na Bienal de Arte Contemporânea de Trás-os-Montes e pretende mostrar à população que a criação pode surgir fora de portas, envolvendo a comunidade, explica Inês Falcão, uma das curadoras desta bienal:

“Tentar sensibilizar as pessoas que passam no Parque da Cidade, vendo que o escultor pode produzir a sua obra perante todas as pessoas e que não é necessário ele estar apenas dentro do seu atelier.
O tema Terra-Mãe está implícito, que tem a ver com o facto se ter ido buscar o tronco em que o artista está a trabalhar a uma das aldeias da comunidade, na zona do Azibo, e as pessoas verem que há uma interação também com a população.
O tronco já está seco, porque já tinha sido cortado.
A seguir vamos ter a preocupação de que os alunos das escolas vão ver o artista trabalhar e perceber que todo o trabalho pode ser feito no local onde depois a peça irá ficar exposta.”

Além disso pretende chamar também a atenção para a importância das árvores, no meio ambiente e artístico:

A importância das árvores e saber respeitá-las. Neste caso aquela árvore, que já tinha sido cortada há algum tempo, pode ter uma outra reutilização e funcionalidade, neste caso estética, como uma escultura.

Respeitar, no fundo, as árvores em si e sensibilizar os alunos para essa questão, porque além de ser uma mais-valia para a humanidade e para todos nós como sociedade, pode ter esse lado artístico também.

A Bienal de Arte Contemporânea de Trás-os-Montes está patente até 30 de novembro e, ao longo destes meses, estão agendadas mais residências artísticas.

Escrito por ONDA LIVRE