A organização do XVI Encontro de Matilhas, que se realizou em Vale de Salgueiro, no concelho de Mirandela, no passado mês de dezembro e que reuniu caçadores, matilheiros e membros da comunidade numa homenagem a Valter Cadavez, falecido em setembro, mentor do evento e figura icónica da montaria e do associativismo cinegético, entregou à Casa do Menino Jesus de Pereira (Mirandela), o valor angariado na iniciativa (6,845,41 euros).
O irmão de Valter Cadavez considera que “fazia todo o sentido entregar este donativo a esta instituição de solidariedade social”, que acolhe 17 crianças e jovens, todas do sexo feminino, que vêm de diversos pontos do País fruto de decisões dos tribunais ou das comissões de proteção de menores e que têm em comum uma família fragilizada que as deixou desprotegidas desde tenra idade, dado que “também foi a primeira a ser beneficiária de um apoio destes, na primeira edição do evento organizado pelo Valter que se realizou no em Talhas, Macedo Cavaleiros, em 2006”, justifica Nelson Cadavez, acrescentando ainda que existiam “razões pessoais que o ligavam de uma maneira muito forte a esta casa”.
O gesto deixou a Irmã Nascimento, diretora da Casa do Menino Jesus de Pereira (gerida pela Congregação das Servas Franciscanas), extremamente “emocionada”, tendo em conta que já era conhecida a ligação do Valter Cadavez à instituição:
“Ele era muito nosso amigo”, diz. “Já o conhecia há muitos anos e de vez em quando passava aí e mandava roupa e perguntava se precisávamos de alguma coisa. Portanto, era muito, muito amiga dele, tinha uma consideração muito grande por ele”, afirma.
A Irmã Nascimento espera que este encontro de matilhas continue a ser organizado, no futuro:
“Mostra a simpatia, a amizade que tinham por ele e que realmente vão perpetuando o trabalho que ele fazia. Portanto, exige sacrifício, exige disponibilidade de tempo, mas é a maneira de nós eternizarmos a memória das pessoas que nos fizeram bem”, remata.
Nem de propósito, Nelson Cadavez anunciou que este encontro vai passar a ser organizado pela Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior:
“O Encontro de Matilhas foi fundado pelo Valter, em 2006, e foi sempre coadjuvado por outros matilheiros e caçadores, amigos, próximos. Contudo, nunca foi constituída nenhuma organização, nenhuma entidade, que assumisse este evento. Portanto, era realizado, substanciado na pessoa do Walter. O seu desaparecimento, embora continue vivo no nosso amor e no nosso coração, deixa um vazio. O Encontro de Matilhas, por assim dizer, ficou órfão também”, refere o irmão de Valter Cadavez.
No entender deste grupo, que organizou este último encontro de Matilhas, e dos familiares, “entendemos que ele devia ser transferido para uma entidade que representasse os matilheiros, ou seja, que continuasse a ser realizado pelos pares. Existe em Portugal uma associação que representa os matilheiros, que é a Associação Portuguesa de Matilhas de Caça Maior, com quem eu estabeleci contactos e diligências no sentido deles assumirem esse desafio e essa responsabilidade. O seu Presidente não esteve aqui hoje presente para declarar que aceitava este desafio por razões profissionais, mas teve oportunidade de me ligar a dizer para vos transmitir que a Associação se sentia muito honrada e muito lisonjeada em assumir a responsabilidade pela realização do Encontro de Matilhas em memória e em honra do Valter”, revela.
Recorde-se que ao encontro de matilhas realizado, em dezembro, apareceram pessoas de todo o país. “Pessoas que estavam no estrangeiro, que conheciam o Valter, que conheciam a causa e só não recebemos mais pessoas porque tínhamos um limite de 240 lugares sentados na quinta onde se fez o serão transmontano, porque se tivéssemos 500 lugares teríamos tido 300 pessoas para caçar e tínhamos mancha para isso”, sublinha.
INFORMAÇÃO CIR (Escrito e Fotografia por Rádio Terra Quente)

