Assinatura do acordo da linha ferroviária de alta velocidade Porto-Zamora a 23 de julho

Indicação muito positiva para o desenvolvimento do território e que vem trazer coesão territorial ao interior norte: é assim que Pedro Lima, vê a assinatura do protocolo do acordo para o estudo da linha ferroviária de alta velocidade Porto-Vila Real-Bragança-Zamora.

O presidente da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) considera que este é um passo muito importante para o progresso e que irá desbloquear o norte de Portugal.

A data já está marcada 23 de julho, numa cerimónia que vai contar com a presença do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

O anúncio foi feito esta terça-feira, em Bragança, depois de uma reunião com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN).

O também autarca de Vila Flor, considera que esta ligação será mais rápida e eficiente:

“É este trajeto que, sem dúvida, que faz mais sentido, porque é a ligação mais rápida e eficiente até de Portugal e continental a toda a Europa, através da rede de alta velocidade, que já existe em toda a Europa e que Portugal ainda tarda em implementar.
Portanto, eu penso que existem aqui vários fatores que vão contribuir para o sucesso deste projeto, nomeadamente, e em primeiro lugar, até uma vontade da Europa de ter Portugal, dentro das ligações de alta velocidade e também, claro, um desígnio nacional de conseguirmos ter a ligação mais eficiente e rápida à rede ferroviária de alta velocidade europeia.”

Este trajeto foi apresentado pela primeira vez em 2021, pela Associação Vale d’Ouro, que tem sede no Pinhão, e desde logo a CIM TTM, também se juntou a reivindicação desta ligação:

“Evidentemente que isto é uma visão que eu louvo que este governo está a ter de coesão, de integração e de verdadeiro desenvolvimento do território como um todo. Louvamos sem dúvida o acolhimento daquilo que foi uma reivindicação, uma luta acolhida pelo senhor Ministro, pelo Ministério das Infraestruturas e agora com a celebração deste protocolo, será sem dúvida, quase que se poderia dizer
a primeira pedra de um projeto que orça entre os 4,5 aos 5 mil milhões de euros de investimento total.”

Pedro Lima acredita nos indicadores que relevam, que nos últimos dois anos, a imigração surgiu como travão na desertificação demográfica, ou inverno demográfico, na região. Por isso, este projeto será uma mais valia para todo o território:

“Começa a ser um indicador de que a desertificação humana está a reduzir. Temos indicadores de que em 2023 e 2024, já foram anos que, através da imigração, que começamos a assistir, portanto, de uma forma mais concisa, está a acontecer no território, portanto, está-nos a diminuir esse fator demográfico. E, evidentemente, que todas as iniciativas que venham trazer a este território mobilidade e maior qualidade de vida, vão contribuir para que o território se desenvolva e consiga começar a fixar população mais jovem formada.”

E que trará vantagens ao nível da qualidade de vida, uma vez que o objetivo é encurtar a duração das viagens, que poderá permitir viver no interior e trabalhar no Porto, como acrescenta:

“Porque ficará muito rápida uma ligação entre as capitais de distrito que não têm ferrovia há décadas, nomeadamente Bragança e Vila Real, a centros urbanos como o Porto ou toda a grande área metropolitana do Porto, onde podem até desenvolver as suas atividades, ter os seus empregos e de uma forma muito realista, deslocarem-se um bocadinho mais para dentro de Portugal, nomeadamente até Trás-os-Montes, onde podem muito bem escolher viver, por assim pensar em ter uma melhor qualidade de vida e usufruírem de um ritmo também de vida um pouco mais saudável do que aquele que se verifica nos grandes centros. Já para não falar das condições de pressão imobiliária, que se traduzem por um acesso à habitação dificílimo nos grandes centros e que aqui ainda se consegue também ter acesso e ter alguma resposta.”

A título de exemplo, a viagem entre o Porto e Madrid, poderá ficar reduzida a duas horas e 15 minutos. Ainda não há calendário para apresentação deste estudo.

O acordo será tripartido entre a CIM-TTM,a Infraestruturas de Portugal, que ficará responsável pelo estudo, e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte CCDRN, e a Junta Autónoma de Zamora.

O estudo vai ter um valor de 1,5 milhões de euros. O projeto de execução está orçado em mais de 5 mil milhões de euros.

Em Portugal ainda existe nenhuma linha ferroviária de alta velocidade construída, apesar de existirem planos e projetos em andamento. O país está atrasado em relação a outros países europeus nesse aspeto, e isso tem sido motivo de críticas.

Escrito por Rádio ONDA LIVRE
Jornalista: Maria João Canadas
Fotografia DR: JC