Azeite enfrenta desafios no mercado sul-americano

O azeite é hoje um dos principais motores económicos de Trás-os-Montes e Alto Douro, sustentando centenas de produtores, cooperativas e pequenas empresas ligadas à fileira olivícola. No entanto, a fragmentação da produção e da comercialização continua a ser um dos maiores entraves à afirmação do azeite português em mercados de grande dimensão, como o bloco sul-americano, alerta Idalino Leão, presidente da CONFAGRI, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal.

Para o dirigente, o setor precisa de reforçar a escala, a organização e a capacidade de comercialização, bem como apostar na valorização e diferenciação do produto, para responder aos desafios do novo contexto internacional.

Em causa está o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que integra Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, assinado a 17 de janeiro de 2026 e já em aplicação provisória após aprovação pelo Conselho da União Europeia. O entendimento visa facilitar a troca de bens, através da redução de tarifas e barreiras comerciais, embora tenha gerado polémica por questões ambientais e pela concorrência no setor agrícola.

Idalino Leão reconhece que podem existir vantagens para produtos como o azeite, mas considera que o setor não pode encarar o acordo com excesso de entusiasmo. Para que represente uma verdadeira oportunidade estratégica, será necessário transformar potencial em crescimento sustentável:

Numa região como Trás-os-Montes e Alto Douro, onde o azeite assume um papel determinante na economia local, o dirigente sublinha que a fragmentação continua a limitar a capacidade de afirmação em mercados exigentes e de grande escala. Defende ainda que o novo contexto internacional impõe mudanças estruturais nas cooperativas e nas estratégias comerciais:

Apesar dos desafios, o setor tem vindo a crescer, com aumento da área de olival e reforço da posição de Portugal enquanto produtor à escala mundial. Ainda assim, Idalino Leão lembra que produzir não basta, sendo essencial valorizar e diferenciar o azeite português, nomeadamente o que é produzido em territórios como Trás-os-Montes e Alto Douro, onde qualidade e tradição caminham lado a lado:

Para a região transmontana, onde o azeite representa rendimento, identidade e fixação de população, o acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode abrir novas portas. Contudo, o setor é chamado a reforçar organização, escala e capacidade de comercialização, para que o azeite de Trás-os-Montes e Alto Douro consiga afirmar-se de forma competitiva e sustentável no mercado internacional.