Profissionais ligados ao setor funerário denunciam graves problemas de higiene e alegada falta de condições sanitárias na morgue do Hospital de Macedo de Cavaleiros. As queixas apontam para infiltrações, presença frequente de baratas, maus odores, falhas de manutenção e ausência de condições consideradas adequadas para o tratamento dos corpos e para o acolhimento das famílias.
Em declarações à Rádio Onda Livre, um profissional do setor funerário, que pediu anonimato por receio de represálias, descreve a situação como “uma vergonha autêntica”. Segundo o mesmo testemunho, não existem condições de trabalho, higiene ou limpeza naquele espaço. “Desde tubos de esgoto a pingar do teto para o chão da morgue, que não dá para passar com as macas com o cadáver sem nos molharmos ou sem molharmos o cadáver. O chão cheio de água dos esgotos. As baratas vivas, diariamente. Não é só uma vez esporadicamente, é sempre que lá vamos. Há baratas, há sujidade.”
Segundo o mesmo profissional, os problemas estendem-se às salas de preparação dos corpos e às instalações sanitárias, onde denuncia falta de limpeza, maus odores e ausência de equipamentos adequados. “As casas de banho têm um cheiro horrível, não se consegue entrar lá. É o cheiro dos esgotos. Depois temos também a falta de material de trabalho. Não temos uma bancada em condições, não temos um duche em condições, como há noutras morgues, noutras cidades, noutros hospitais. É muito mau trabalhar naquelas condições. Não há dignidade sequer para os defuntos, e muito menos para os profissionais das agências funerárias.”
Os testemunhos recolhidos pela Rádio Onda Livre apontam ainda para o impacto emocional que estas condições poderão causar nas famílias que se deslocam ao local para o reconhecimento ou despedida dos familiares falecidos. O mesmo profissional refere que o mau cheiro é percetível logo à entrada e que as condições do espaço são indignas.“Entrar lá é um cheiro horrível, logo à entrada. As famílias podem entrar para ver e velar os corpos. Naquelas condições, acho que é uma vergonha. Chega a haver baratas por cima dos cadáveres, em cima dos lençóis.”
Outro profissional do setor funerário, também contactado pela Rádio Onda Livre e que aceitou prestar declarações gravadas, refere que as câmaras frigoríficas “não são as melhores”, apontando ainda a existência de infiltrações e fugas na canalização, com canos visíveis em várias zonas da morgue do Hospital de Macedo de Cavaleiros:
Questionado sobre a presença de baratas no espaço, admite que estas situações ocorrem com frequência:
Os profissionais ouvidos garantem que os problemas são conhecidos dentro da unidade hospitalar e afirmam já ter alertado para a situação. Ainda assim, acusam falta de uma intervenção eficaz para resolver os problemas denunciados.
As fontes defendem uma intervenção urgente por parte da administração hospitalar e das entidades competentes, considerando que estão em causa questões de saúde pública, dignidade dos corpos e respeito pelas famílias.
Contactada pela Rádio Onda Livre, a Unidade Local de Saúde do Nordeste confirmou que o atual Conselho de Administração, em funções desde 1 de maio, identificou “alguns constrangimentos” nas instalações da morgue da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros, no âmbito de uma visita realizada à unidade hospitalar e aos respetivos serviços.
Segundo a ULS do Nordeste, estão já em curso várias ações de melhoria, através de meios internos e do recurso a serviços especializados externos, com o objetivo de resolver rapidamente os problemas identificados.
A administração garante ainda que continuará a acompanhar o processo “de forma próxima”, assegurando a implementação das medidas necessárias para garantir adequadas condições de funcionamento, higiene e segurança.





