STEPH avança para greve após rejeitar contraproposta do INEM

Os trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) vão avançar para duas greves, a primeira já esta segunda-feira, dia 14 de setembro, depois de o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) ter recusado a contraproposta apresentada pelo INEM.

O presidente do sindicato, Rui Lázaro, refere que está em causa, entre outras medidas, a possibilidade de transformação de ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras, uma situação que preocupa especialmente nas regiões de Bragança e Vila Real.

“Nesta zona, ao propor-se transformar ambulâncias de Suporte Imediato de Vida em carros ligeiros, perde-se também a capacidade de transportar doentes.

Muitas vezes, as distâncias superam os 30 ou 40 minutos. Esse minuto que chega mais cedo não vai fazer grande diferença e perde-se a capacidade de transportar doentes.”

O sindicato admite que a transformação possa ser testada, mas defende que deverá ser feita através de um verdadeiro projeto-piloto e acompanhada pela colocação de uma ambulância que garanta a capacidade de transporte perdida.

“Imagine-se que a ambulância SIV de Mirandela é transformada num carro ligeiro. Para isso acontecer, o INEM tem de colocar lá outra ambulância que supra a necessidade, a carência de transportar doentes.

Para que nenhum doente fique prejudicado por uma ambulância ter sido transformada num carro.”

Para o distrito de Bragança, o sindicato alerta para um eventual agravamento dos constrangimentos, tendo em conta as distâncias até aos hospitais e a dependência dos meios disponibilizados pelos bombeiros.

“A realidade do país, sobretudo no interior, tem dificuldade de acessos, distâncias aos hospitais e escassez de meios de emergência.

Uma ambulância que saia, por exemplo, de Freixo de Espada à Cinta ou de Torre de Moncorvo para transportar um doente a Bragança fica entre quatro e cinco horas num serviço só.

Durante aquele tempo todo, há de sair, quanto muito, uma segunda ambulância daqueles bombeiros, ou então serem acionados bombeiros vizinhos, se a SIV não tiver capacidade de transportar doentes.

Nós entendemos que esta perda de capacidade de transporte é determinante e pode ter consequências muito graves para os cidadãos.”

Além de contestar a eventual redução de meios, o sindicato exige o reforço da rede própria do INEM e uma resposta uniforme entre o litoral e o interior.

“Se o Governo se comprometer com estas duas coisas, por um lado, não diminuir e, por outro, reforçar, nós suspendemos a greve com todo o entusiasmo.

Caso não seja possível chegar a um acordo que nos dê garantias e que reforce a resposta, não potenciando o risco para os cidadãos, então a greve irá prosseguir.”

Quanto à paralisação, o sindicato diz ter aceitado os serviços mínimos propostos pelo próprio INEM. Ainda assim, admite que poderão existir atrasos no atendimento das chamadas e no envio de ambulâncias.

“Esta é uma greve que nasce, sobretudo, para proteger os cidadãos e a resposta que o INEM dá aos cidadãos.

As nossas principais reivindicações são a garantia de que a resposta atual do INEM não seja diminuída e que o Governo assuma connosco o compromisso de a reforçar.”

A primeira greve está marcada para esta segunda-feira, dia 14 de setembro, e a segunda para o dia 28 de setembro.

O sindicato mantém a expectativa de chegar a acordo antes da paralisação, mas avisa que, sem garantias de manutenção e reforço da resposta de emergência médica, a greve irá avançar.

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