Foi a 8 de outubro de 2023. Na altura, a administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) alegou que se tratava de uma situação “temporária”, para fazer face “aos constrangimentos na elaboração de escalas” devido à recusa da maioria dos médicos em realizar trabalho extra para lá das 150 horas, estipuladas na Lei.
Os três cirurgiões que prestavam serviço na unidade hospitalar de Mirandela foram alocados à urgência do hospital de Bragança e mais tarde a administração (na altura presidida por Carlos Vaz) argumentou que os três cirurgiões manifestaram a sua “indisponibilidade para continuar a realizar serviço de urgência, devido à sua idade e a Lei protege-os”, dado que os médicos podem optar por não trabalhar à noite nos serviços de urgência, a partir dos 50 anos, e, depois dos 55, podem pedir dispensa total do trabalho nas urgências.
Perante isto, acrescentou, na altura, o administrador da ULS do Nordeste, a situação só seria resolvida quando houvesse cirurgiões interessados em preencher as vagas.
Enquanto isso, os cerca de 47 mil habitantes da área de abrangência da urgência do hospital de Mirandela, ou seja, dos concelhos do sul do distrito – Alfândega da Fé, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo – que necessitem de ser vistos por um profissional de saúde ligado à cirurgia geral, ou que tenham de ser submetidos a uma intervenção cirúrgica urgente, estão a ser encaminhados para a urgência do Hospital de Bragança.
ESCASSEZ DE RECURSOS HUMANOS CONDICIONA REABERTURA
Confrontada com esta situação, a administração da ULSNE, agora presidida por Miguel Abrunhosa (desde 1 de maio deste ano), confirma que o principal constrangimento à reposição da presença de Cirurgia Geral na urgência de Mirandela continua a ser “a insuficiência de médicos especialistas disponíveis para assegurar essa atividade de forma regular, sustentável e segura”, adianta numa nota escrita enviada à CIR (Terra Quente FM), onde acrescenta que esta dificuldade de recursos humanos “não é exclusiva da ULSNE e, nas condições atuais, não permite reativar essa resposta presencial”.
No entanto, a administração ressalva que, caso venham a existir recursos humanos suficientes, a reposição desta valência “será objeto de avaliação estratégica pelo Conselho de Administração, considerando as necessidades da população, a organização da rede assistencial e as condições necessárias ao seu funcionamento”.
O compromisso da ULSNE é “assegurar a cada doente os cuidados mais adequados à sua situação clínica, com segurança, em tempo útil e através de uma articulação eficaz entre as suas unidades”, adianta a administração que faz questão de esclarecer ainda que a Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Mirandela mantém a sua classificação e continua em funcionamento. “O que deixou de estar assegurado foi a presença física de um médico especialista em Cirurgia Geral nessa unidade hospitalar”, explica.
A ULSNE esclarece também que, mesmo antes da suspensão dessa presença, o Hospital de Mirandela “já não assegurava a realização de intervenções cirúrgicas urgentes. Os doentes eram avaliados localmente e, quando necessário, encaminhados para a Unidade Hospitalar de Bragança, onde se concentrava a resposta cirúrgica de urgência”.
O atual Conselho de Administração diz ter implementado medidas que “reforçaram a organização e a segurança deste circuito”, destacando a entrada em funcionamento da chefia de equipa de urgência do Hospital de Mirandela, que assegura a coordenação clínica local e a articulação com Bragança e com outras unidades hospitalares, sempre que seja necessária a transferência de doentes, incluindo doentes do foro cirúrgico.
Foi igualmente implementado o Posto Avançado de Medicina Intensiva em Mirandela. “A presença de um médico intensivista permite uma intervenção diferenciada na avaliação, estabilização e orientação de doentes graves, sejam do foro médico, cirúrgico ou vítimas de trauma grave”, conclui a resposta escrita da ULSNE.
INFORMAÇÃO CIR (Escrito por Rádio Terra Quente)

