O projeto internacional “Fair Game”, promovido pela Associação de Futebol de Bragança (AFB), em parceria com a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, foi apresentado esta segunda-feira, no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros, durante uma mesa-redonda dedicada à igualdade de género no desporto.
A iniciativa pretende incentivar a prática desportiva feminina e apoiar os municípios na definição de políticas que promovam uma maior participação das mulheres no desporto, independentemente da idade ou da modalidade.
O presidente da Associação de Futebol de Bragança, António Ramos, destaca a importância de aumentar o número de praticantes e de alargar a presença feminina a outras áreas do desporto:
“O que nós queremos é consolidar e aumentar o número de meninas inscritas na prática do futebol e do futsal, e até mesmo noutras áreas, como o dirigismo e o treino.”
A AFB pretende, assim, reforçar a presença feminina no desporto e criar mais oportunidades de participação. O presidente da associação acredita que o projeto poderá produzir resultados positivos:
“É um projeto europeu. Nós temos sete projetos europeus ativos e este é um deles.
Conseguimos, com o nosso project manager, juntamente com a Câmara Municipal de Macedo, criar aqui uma área de intervenção conjunta para que não haja essa discriminação de género que tem existido ao longo dos anos e para a minimizar.
Acho que é um projeto bem conseguido e vamos ter resultados muito positivos.”
O Município de Macedo de Cavaleiros é parceiro da iniciativa e pretende contribuir para a promoção da igualdade de oportunidades desde os escalões mais jovens.
O presidente da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, Sérgio Borges, considera que o desporto pode desempenhar um papel importante nessa mudança:
“A igualdade de género é muito importante, não só no desporto, mas em tudo. E nada melhor do que começar pelos mais jovens e também pelo desporto, incutindo essa igualdade que tanto deve ser promovida.”
O “Fair Game” integra uma rede internacional de instituições e organizações da sociedade civil de cinco países: Portugal, Kosovo, Itália, Bósnia e Herzegovina e Macedónia do Norte.
O projeto arrancou em janeiro de 2026 e prolonga-se até dezembro de 2027, contando com um orçamento de 240 mil e 255 euros.
O responsável pelos projetos internacionais da Associação de Futebol de Bragança, Paulo Araújo, explica que a iniciativa pretende também apoiar a definição de estratégias locais para aumentar a participação feminina:
“O projeto visa alertar para o estado do desporto feminino e tentar incentivar, o mais possível, a prática, mas, ao mesmo tempo, ajudar a nível local, principalmente os municípios, a definir políticas para promover esta mesma prática feminina, independentemente da faixa etária.
Hoje vão estar aqui meninas que jogam futebol, que praticam outras modalidades, mas também senhoras que participam em programas de atividade física no município.
O objetivo principal é promover a prática desportiva a nível local.
Este projeto traz esta temática para cima da mesa. Todos temos que refletir sobre ela e delinear estratégias para desenvolver mais o desporto feminino.”
Na formação, um dos desafios passa por garantir condições para que as jovens atletas continuem a praticar desporto.
O selecionador distrital de futebol sub-15, Marco Quina, alerta para a falta de equipas exclusivamente femininas em alguns escalões, uma situação que pode dificultar a continuidade das jogadoras na modalidade:
“É importante conseguir manter estas atletas no futebol e não virem só treinar um ano, jogar um ano e depois já não continuarem.
Um dos constrangimentos que me vem logo à cabeça é não terem uma equipa de futebol feminino onde possam jogar.
Algumas já estão a jogar, por exemplo, nos sub-19, na 2.ª Divisão Nacional do Sport Club Mirandela. Mas, atenção, são atletas sub-15 que estão a jogar numa equipa sub-19.
Portanto, já vemos que há aqui uma grande disparidade para poderem jogar numa equipa exclusivamente feminina.
As outras têm que jogar com rapazes ou em escalões que nem sequer são os delas, ou seja, com um desenvolvimento diferente daquele que têm os rapazes.
Obviamente, isso é um constrangimento que acaba, muitas vezes, por contribuir para que terminem mais cedo a prática da modalidade.”
No distrito de Bragança, existem várias estruturas com equipas femininas. Na cidade de Bragança, o Grupo Desportivo de Bragança (GDB) tem uma equipa de benjamins exclusivamente feminina. Em Macedo de Cavaleiros, o Grupo Desportivo Macedense (GDM) conta, esta época, com uma equipa sénior feminina em competição. O Sport Club Mirandela dispõe também de duas equipas nos escalões sub-19 e sub-17. Já em Torre de Moncorvo, a Associação Recreativa do Santo Cristo (AR Santo Cristo) conta com uma equipa sénior e outra de sub-19. E no Clube Desportivo de Miranda do Douro tem equipas de Sub-19, Sub-15 e Sub-13.
A igualdade de género cruza-se também com a realidade de outras modalidades. No basquetebol distrital, a participação feminina tem expressão, embora persistam desafios relacionados com a captação de atletas, a consolidação dos clubes e a falta de treinadores.
O diretor técnico da Associação de Basquetebol de Bragança, Carlos Alves, destaca a presença das mulheres na modalidade e aponta como objetivo aumentar ainda mais o número de praticantes:
“Neste momento, temos mais atletas femininas inscritas do que masculinos e, portanto, queremos sempre mais.
O máximo que tivemos nestes últimos 20 anos foi de 111 atletas inscritas. O nosso objetivo, caminhando assim, é que daqui a quatro anos sejam 250.
Vamos ver. É uma meta muito ambiciosa, nós sabemos, mas acho que temos que ter ambição naquilo que fazemos, porque, senão, também não andamos aqui a fazer nada.”
A Associação de Basquetebol de Bragança pretende também consolidar os três clubes atualmente em atividade, Estrelas Brigantinas, Macedo Academy e Mirandela Basquete, e alargar a modalidade a outros concelhos, nomeadamente Miranda do Douro e Torre de Moncorvo.
Através das ações locais e do envolvimento das entidades parceiras, o “Fair Game” pretende contribuir para reduzir as desigualdades no acesso à prática desportiva e criar condições para uma participação feminina mais alargada.
O orçamento do projeto é de 240 mil e 255 euros, financiado pela União Europeia, no âmbito do programa Cidadãos, Igualdade, Direitos e Valores (CERV).












