Pedido de insolvência da Lusofly Academy dá entrada no Tribunal de Bragança

As proprietárias de dois imóveis em Bragança apresentaram um pedido de insolvência da Pullupfly/Lusofly Academy, alegando uma dívida superior a 12 mil euros em rendas por pagar. A ação deu entrada este mês no Tribunal Judicial da Comarca de Bragança e diz respeito a nove meses de rendas em atraso, entre janeiro e setembro deste ano, segundo avançou a agência Lusa.

De acordo com a ação judicial, as partes celebraram dois contratos de arrendamento em novembro de 2024, destinados a alojar alunos, trabalhadores e membros da gerência da escola de aviação. O valor total reclamado é de 12.060 euros.

Contactada pela Lusa, a defesa da empresa afirmou que ainda não foi notificada da ação.

O pedido de insolvência surge numa altura em que a Lusofly Academy enfrenta outros problemas. Em agosto, a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) suspendeu a atividade da escola, impedindo-a de prosseguir com os cursos de formação de pilotos. O regulador concedeu à empresa um prazo de seis meses para corrigir as irregularidades detetadas, sob pena de cancelamento do certificado aeronáutico.

Em julho, a Lusa tinha noticiado que a escola, a operar a partir do Aeródromo Municipal de Bragança desde 2022, ainda não tinha formado nenhum dos 36 pilotos inscritos entre 2022 e 2026, apesar de a formação ter uma duração prevista de dois anos. Na altura, alguns alunos denunciaram alegadas situações de intimidação por parte do diretor executivo.

A ANAC informou a Lusa de que não foi notificada nem dispõe de informação oficial sobre o pedido de insolvência, acrescentando que não comenta litígios judiciais entre entidades privadas.

Relativamente à situação dos alunos, o regulador esclareceu que já foram tratados os pedidos de transferência para outras escolas que recebeu, permanecendo dois alunos a aguardar desenvolvimentos relacionados com a Lusofly. A ANAC não revelou, contudo, o número total de pedidos de transferência apresentados.

Também a Câmara Municipal de Bragança afirma não ter recebido qualquer comunicação formal sobre o pedido de insolvência.

A presidente da autarquia, Isabel Ferreira, revelou, no entanto, que a escola tem uma dívida de 4.760 euros ao município. Deste montante, cerca de 1.400 euros dizem respeito à ocupação de dois lugares no hangar do aeródromo, enquanto aproximadamente 3.300 euros correspondem a mensalidades em atraso pela utilização das instalações do Brigantia EcoPark, onde a escola funcionava e eram lecionadas as aulas teóricas.

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